11 de julho de 2026
Esportes

Tênis: ‘Velha guarda’ brilha no cenário mundial

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 6 min

Na opinião de jogadores bauruenses que brilharam como profissionais de tênis, a cidade merecia sediar a Copa Davis há mais tempo. Mesmo assim, expoentes do esporte na cidade comemoram a realização da disputa entre Brasil e Uruguai entre os dias 7 e 9 de maio, com arena montada no Bauru Tênis Clube (BTC).

O JC, parceiro oficial de mídia do evento ao lado da Rádio 96FM e do site JCNET, reuniu ontem no templo do tênis bauruense, o Bauru Tênis Clube (BTC), Júlio Góes, o Meca, Salim Achôa, Roberto Cardoso, Celso Sacomandi e os irmãos Cecília Joaquim e Renato Joaquim para contarem uma pequena parte da história do tênis bauruense que se destacou internacionalmente no esporte.

Renato comparou a magnitude da realização da Davis para Bauru à mesma importância do Brasil sediar uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada. Júlio, conhecido desde a infância como Meca, avalia que até demorou para que a cidade recebesse um evento com o status da importância que a modalidade tem com nomes que figuraram entre os top 100 do ranking mundial da Associação de Tênis Profissional (ATP). Júlio Meca ocupou o 68º lugar de simples e o 69º de duplas, no início dos anos 80. O tenista bauruense Roger Guedes chegou ao 80º lugar no ranking da ATP, em 1979.

O tenista Renato Joaquim também atuou profissionalmente no circuito de Grand Slam, competindo em Roland Garros, na França, e Wimbledon, na Inglaterra. Apesar de participarem de todo o glamour das grandes competições de tênis, Renato, Júlio Meca, Salim Achôa e Celso Sacomandi ressaltam com orgulho o período em que ninguém vencia Bauru nos Jogos Abertos do Interior (JAIs). Renato frisa que São Caetano, Guarulhos e outros grandes municípios de São Paulo contratavam jogadores de outros Estados, como do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, para enfrentar a equipe bauruense. Entretanto os reforços não eram páreo para os bauruenses, que mantiveram a hegemonia de Bauru na modalidade nos JAIs. Júlio Meca cita que todos os bauruenses eram amadores. “Jogávamos por Bauru”, destaca.

O respeito adquirido pelos bauruenses no seleto mundo do tênis reflete na atitude do tenista norte-americano John McEnroe ao solicitar, no ano passado, um encontro para relembrar grandes momentos com o seu adversário Celso Sacomandi. O reencontro ocorreu quando McEnroe disputou a etapa Rio Champions Cup 2009, um circuito mundial para campeões de tênis. O tenista norte-americano é uma das lendas do tênis, foi número 1 do mundo e notabilizou-se por partidas memoráveis contra Björn Borg, Jimmy Connors e Ivan Lendl. Em 1976, o juvenil McEnroe enfrentou um menino vindo de Bauru em um torneio nos Estados Unidos. Celso Sacomandi, de 16 anos, ganhou de John McEnroe.

Enquanto o papo transcorria no restaurante do BTC, o tenista bauruense Roger Guedes faturava o título de sua categoria no ITF Seniors de Brasília 2010, vencendo Galba Couto por 2 sets a 0, com parciais de 6/0 e 6/2. A disputa do título ocorreu no final da manhã de ontem e o torneio reuniu os melhores tenistas do Brasil na categoria, sul-americanos, europeus e americanos, no aniversário de 50 anos do Lago Iate Clube. O torneio conta pontos de Grupo 1 para o ranking da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), e Grupo 2 para o ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF).

Leia a seguir o currículo e trechos de depoimentos dos tenistas:

Roger Guedes

O tenista bauruense Roger Guedes chegou ao 80º lugar no ranking da ATP, em 1979. Sua primeira grande conquista foi o título do Banana Bowl na categoria juvenil, título que lhe abriu as portas dos Estados Unidos. Ele estudou como bolsista na Hampton University integrando a equipe campeã nacional, em 1976. Foi o primeiro título nacional da universidade norte-americana, fundada em 1896. Guedes atuou profissionalmente por oito anos jogando circuito de torneios de Grand Slam. Atuando como sênior, o bauruense foi campeão Mundial de duplas em 2008, jogando em parceria com o australiano Max Bates. Guedes disputará o Campeonato Mundial de Tênis sênior no México de 4 a 11 de abril, representando o Bauru Tênis Clube (BTC).

Cecília Joaquim

A tenista baruense Cecília Joaquim venceu o Banana Bowl, o Sul-americano e o Brasileiro em 1970. Ela comenta que seu melhor período no tênis foi de 1968 a 1975, período em que venceu campeonatos estaduais e dos Jogos Abertos do Interior (JAIs). No JAIs fazia parceria com sua irmã Regina Joaquim. “Era demais ganhar os Abertos. Meu melhor período foi quando tinha entre 14 e 19 anos”, define.

Roberto Cardoso

A Copa Davis não é uma novidade para o tenista bauruense Roberto Cardoso, que será um dos homenageados na edição bauruense do evento esportivo internacional. Em 1951, ele defendeu o Brasil na Copa Davis jogando, primeiro, contra a Finlândia, em Helsinque. Na sequência, foi jogar em Paris contra as Filipinas. Ele conta que, na capital francesa, jogou o torneio de Roland Garros daquele ano, graças a um convite para a equipe brasileira. Em 1944, ele inicia uma trajetória vencedora nos Jogos Abertos do Interior (JAIs), atuando por Bauru. A partir de então, venceu ao todo dez vezes os JAIs. Ainda em 51, jogou os Pan-americanos, disputados em Buenos Aires. Entre as vitórias de que faz questão de mencionar, Cardoso fala com carinho de um troféu em disputa por clubes e que ajudou a conquistar para o BTC. O jogador que conseguisse vencer por cinco vezes consecutivas ou sete alternadas ganharia definitivamente o troféu. Cardoso ganhou o torneio cinco vezes.

Salim Achôa

Aos 85 anos, Salim Achôa ainda está em atividade no tênis, esporte que joga há 72 anos. “Bato uma bolinha. É claro que não é com aquela desenvoltura”, comenta. Ele jogou muitos torneios regionais contra equipes de outras cidades do Estado. Também faturou torneios internos no BTC. Salim relembra de um em que a idade da dupla de jogadores somada tinha que ser 100 anos. Foi campeão atuando ao lado de Carlos Eduardo Cury.

Renato Joaquim

O tenista Renato Joaquim começou aos seis anos com o professor Cláudio Sacomandi, pai de Celso. Como juvenil faturou sete brasileiros, três Sul-americanos e foi vice-campeão do Orange Bowl, perdendo para o brasileiro Max Wilander. Jogou profissionalmente torneios de Grand Slam, como Roland Garros e Wimbledon. Ele menciona que deve ser o jogador mais jovem a se profissionalizar, quando tinha apenas 16 anos. Ele foi dez vezes campeão dos Jogos Abertos do Interior (JAIs). Também foi professor de tênis durante dez anos.

Júlio Meca

O bauruense Júlio Góes, o Meca, esteve no Top 100 da Associação de Tênis Profissional (ATP) – 68º no simples e 69º de duplas – por volta de 1982. Neste período disputou três edições da Copa Davis jogando contra Bolívia (1982), Argentina (1983) e México (1984). O confronto contra os mexicanos marcou porque a equipe brasileira perdeu a final da Segunda Divisão. Ele venceu 14 torneios Challenger que, na época, tinha um nível técnico muito elevado. Meca jogou final do ATP Tour de Itaparica, na Bahia. Também venceu muitos torneios dos Jogos Abertos do Interior (JAIs).

Celso Sacomandi

O tenista bauruense e colunista do JC venceu sete brasileiros como juvenil. Coleciona títulos do JAIs. Segundo Júlio Meca, uma das características de Sacomandi e que irritava os adversários era ganhar de “Pirelli”, referência a “pneu” (quando um tenista aplica um 6/0 no rival). No jargão dos tenistas, vencer de “Pirelli” é de 2 sets a 0, com parciais 6/0 e 6/0. Os amigos tenistas comentam que alguns jogadores preferiam ser desclassificados na semifinal do que levar de “Pirelli” na final contra Sacomandi.