09 de julho de 2026
Regional

Impacto pode reduzir em 50% vida útil do asfalto

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

O impacto do excesso de peso dos veículos de carga sobre a pavimentação asfáltica é um dos principais geradores de ondulações e fator preponderante na vida útil do asfalto. Embora as concessionárias que administram as rodovias da região ainda não tenham dados estatísticos sobre o custo, todas concordam que isso causa deformações, desgaste, trincas e buracos prematuros, além de destruir o asfalto na metade do prazo de validade.

A Rodovias Tietê, que administra o trecho leste da Rodovia Marechal Rondon, admite que cargas excessivas diminuem a vida útil do pavimento. “A pavimentação tem uma vida útil. Esse tempo pode ser prolongado ou diminuído. O excesso de peso causa a diminuição,” explica o presidente da concessionária, Carlos Roma Júnior.

De acordo com ele, a empresa está há apenas um ano na região e não tem levantamento dos custos necessários para recuperar os danos provocados pelos caminhões de carga que transitam com peso excessivo.

“No nosso trecho de concessão ainda não temos balanças de pesagem e não sabemos se o trânsito desse tipo de veículo exige mais investimentos”, observa.

Ondulações

Roma Júnior explica que as ondulações, que incomodam muito os usuários de veículos de pequeno porte, são resultado de uma somatória de itens. “Pode ser falta de manutenção e excesso de peso.”

A Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), concessionária que administra a SP-225 (mais conhecida como Bauru-Ipaussu), também não tem como avaliar as consequências do impacto sobre a pavimentação, segundo o diretor de engenharia e operações da empresa, Juvêncio Rezende.

“A Cart não tem estudo sobre o impacto de excesso de carga na SP-255. Nosso tempo de atuação é pequeno e como assumimos a rodovia em estado ruim, não podemos medir esse impacto.”

Rezende enfatiza que os pavimentos são dimensionados para suportar, por um prazo de vida útil, cargas de acordo com a legislação específica em vigor. “Quando ocorre excesso de carga sobre a pavimentação, a vida útil desse pavimento é drasticamente reduzida, ocasionando deformações, desgastes, trincas e buracos”, define Rezende.

Na opinião do diretor da Cart, é possível afirmar que o transporte de cargas com peso além do permitido é o principal fator do comprometimento prematuro dos pavimentos rodoviários.

Na opinião do diretor da Via Rondon, Fábio Abritta Filho, o excesso de peso no transporte de cargas é responsável pelo maior desgaste do veículo, dos pneus, maior consumo de combustível e prejuízos à conservação do asfalto.

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Cinco pontos de pesagem fazem o controle

Nas estradas administradas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o controle de peso dos veículos de carga é feito por empresas terceirizadas. Na região de Bauru são cinco pontos de pesagem nas rodovias SP-294 (rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a Bauru-Marília), SP-321 (Cezário José de Castilho, a Bauru-Iacanga), SP-381 (rodovia David Eid), SP-255 (João Lázaro de Almeida Prado) e SP-304 (deputado Leônidas Pacheco Ferreira).

De acordo com o DER, quando um veículo é surpreendido com carga superior à permitida - o peso varia de acordo com o tipo de veículo -, é aplicada uma multa e solicitada a transferência de peso para outro veículo.

A fiscalização não é feita 24 horas, o esquema é de blitze que são realizadas em escalas alternadas durante toda a semana. Os horários não são divulgados, segundo a assessoria de imprensa do órgão, “para garantir o êxito na fiscalização.”

Nas rodovias concedidas, segundo o DER, a fiscalização é feita pelas empresas responsáveis por aquela estrada. As fiscalizações, segundo a assessoria, sempre são acompanhadas por um funcionário do departamento para validar a penalidade em caso de infração.

A Polícia Rodoviária fiscaliza o excesso de carga através da nota fiscal do transportador e aplica multas, conforme preveem o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e o Código Nacional de Trânsito.

Ranhuras podem reduzir risco de acidentes

A ranhura de segurança é uma técnica utilizada no pavimento para prolongar sua vida útil. Cavada no asfalto, esse processo simples insere canais compridos e ocos capazes de desviar o excesso de água da superfície. As reentrâncias também podem ser usadas nas pistas de decolagem de aeroportos.

Na rodovia Bauru-Ipaussu, as ranhuras foram usadas para nivelar o asfalto, ou seja, retirar as ondulações provocadas pelo excesso de peso de veículos de cargas que trafegam diariamente do Paraná para São Paulo, e vice-versa.

As ranhuras foram usadas pela primeira vez nos anos 60 pela Nasa (agência espacial americana), e desde que foram aplicadas na rodovias reduziram em mais de 50% os acidentes.

Prazo de validade

O prazo de validade de um pavimento depende do seu projeto. De maneira geral, duram de oito a dez anos, mas dependendo da incidência do excesso de carga sobre ele, aliado a outros fatores (condições climáticas por exemplo), os problemas poderão ocorrer ainda no primeiro ou segundo ano após a conclusão da obra, ressalta o diretor de engenharia e operações da Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), Juvêncio Rezende.

O diretor da concessionária Via Rondon, engenheiro Fábio Abritta Filho, explica que há pesquisas que indicam que o excesso de peso diminui em 50% a vida útil do pavimento. “O efeito causado pela sobrecarga dos caminhões no pavimento provoca prejuízo exponencial”, destaca.

De acordo com o engenheiro, os estragos provocados pelo sobrepeso refletem diretamente no custo da manutenção e na conservação da rodovia.