São Paulo - Mais de um ano após a aprovação da Lei Arouca, que trata do uso de cobaias em pesquisas e no ensino, entrou em funcionamento no País o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea). Como o próprio nome diz, um dos principais objetivos do órgão, vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, é aumentar o controle da utilização de cobaias e garantir o cumprimento das normas para o uso ético de animais.
Hoje não há no Brasil informações sobre o número de cobaias criadas e utilizadas em laboratórios e em aulas em universidades. Essa é uma das questões que o Concea terá de responder.
A indicação dos 28 integrantes do conselho, entre titulares e suplentes, foi feita em dezembro. Há representantes de ministérios, da Academia Brasileira de Ciências, da Federação Brasileira de Indústria Farmacêutica e de sociedades protetoras dos animais, entre outros. No fim de fevereiro, o pesquisador da Fiocruz Renato Cordeiro foi nomeado coordenador do conselho.
O próximo passo será o cadastramento no Concea das instituições que usam ou criam cobaias. A partir do registro será mais fácil mapear a situação da experimentação animal no País.
Na opinião da professora Julia Matera, do departamento de cirurgia da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), por vários anos a experimentação animal “ficou muito solta” no País. Ela acredita que o Concea ajudará a organizar a atividade. Uma das complicações é que podem existir vários biotérios - locais que criam cobaias - em cada universidade.
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Manequins
São Paulo - Métodos alternativos ao uso de animais vêm ganhando força, especialmente nas aulas. Alunos podem aprender com manequins de silicone de cães, gatos e ratos. Também são úteis programas de computador.
Renato Cordeiro, da Fiocruz, exemplifica. Em uma aula tradicional de fisiologia cardiovascular seria preciso um cão, mas hoje é possível usar um CD-ROM. Mas ele ressalta que, “quando se passa para a etapa de residência ou estágios, o contato com os animais vivos é pertinente e essencial.”
Ana Maria Guaraldo, presidente do Conselho de Ética no Uso de Animais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), conta que várias disciplinas deixaram de usar animais porque já há vídeos de aulas práticas. Há quase uma década, o Instituto de Biologia abriu mão de cães em aulas práticas ou pesquisas.
Segundo Júlia Matera, da USP, laboratórios têm sofrido imensa pressão da sociedade e, para não correr o risco de no futuro deixar de vender produtos experimentados em animais, investem em métodos alternativos.