11 de julho de 2026
Regional

Após tentativa de fuga, cadeia ‘aguarda’ a interdição parcial

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

São Manuel - Após tentativa frustrada de fuga e princípio de rebelião na Cadeia Pública de São Manuel (69 quilômetros de Bauru), que tem capacidade para abrigar 40 presos, mas conta atualmente com 144 divididos em dez celas, o diretor da unidade, José Mário Toniato, informou que só está aguardando decisão do Tribunal de Justiça (TJ) para que o local seja parcialmente interditado.

Na noite de domingo, carcereiros de plantão conseguiram impedir que os detentos de duas celas escapassem da cadeia por um túnel de cerca de dois metros de comprimento cavado do interior da cela 4 com destino ao pátio da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), situada ao lado. Os presos também teriam aberto um buraco até a cela 3 para que os colegas também tivessem acesso à passagem subterrânea.

“Estamos remetendo ao juiz as fotos do local, inclusive com o boletim de ocorrência, para agilizar a interdição parcial que ele decretou”, explica o diretor. Segundo ele, a sentença, que determina que a cadeia passe a contar com 70 presos, sete por cela, foi anunciada na última quinta-feira. “Seria o dobro da capacidade, mas seria um número razoável”, avalia.

Segundo o diretor, a interdição parcial da cadeira depende agora da homologação da sentença do juiz por parte da Corregedoria do Tribunal de Justiça. “Vai ser estipulado pelo Tribunal um prazo para que seja alcançado esse limite”, conta. “Obrigatoriamente, é comunicada a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) sobre a interdição e eles têm que arrumar as vagas sob pena de multa diária”.

Superlotação

Após a tentativa de fuga, os 144 detentos da cadeia de São Manuel foram remanejados para as oito celas que não tiveram sua estrutura danificada. Agora, são 18 homens dividindo um espaço onde deveriam estar presos apenas quatro, o que agrava a situação de tensão e o risco de rebelião na unidade. “Os ânimos estão acirrados, as famílias fazem pressão”, diz. “Nessa hora tem que ter calma porque uma nova rebelião é complicado”.

As celas 3 e 4, que sofreram abalos na estrutura e estão parcialmente interditadas, ainda não têm prazo para serem liberadas. Toda a terra retirada do túnel após as escavações foi escondida em uma das celas. Ontem, o local foi vistoriado por um técnico que ficará responsável pela realização do orçamento das obras no local. Os reparos dependem da liberação de verbas por parte do governo do Estado.

Como os carcereiros não entram na cadeia aos finais de semana por questões de segurança, a polícia acredita que os presos tenham começado a cavar a passagem subterrânea na sexta-feira, após o banho de sol. Na opinião de Toniato, o reforço na segurança do prédio, com a escalação de dois carcereiros por turno, foi fundamental para o sucesso da ação. “Foi graças a esse trabalho de ronda em volta da cadeia que essa tentativa de fuga foi frustrada”, avalia.

Segundo o diretor, a identificação dos envolvidos na tentativa de fuga não pode levar em conta a relação dos presos detidos nas celas, já que eles podem ter trocado de lugar antes da ação. Um inquérito administrativo será instaurado para apurar responsabilidades. Os acusados de participação na tentativa de fuga vão responder pelo crime de dano ao patrimônio.

____________________

Flagrante

Os detentos da cela 4 da Cadeia Pública de São Manuel que tentaram fugir após cavar um túnel de cerca de dois metros até o prédio localizado ao lado foram flagrados na noite de domingo por carcereiros que faziam a ronda na unidade. Ao avistarem um dos presos saindo pela passagem subterrânea, os funcionários deram um tiro de advertência com bala de festim para o alto, o que fez com que ele recuasse.

De acordo com o diretor da cadeia, José Mário Toniato, os materiais usados para escavar o túnel ainda não foram localizados. Os presos disseram à polícia que jogaram os equipamentos dentro do túnel e, em seguida, abriram a torneira da cela para que eles se misturassem à lama e fossem enterrados. “Normalmente, após quebrar o concreto, eles usam panelas e até canetas”, afirma.

O diretor revela que, após a tentativa frustrada de fuga, teria ocorrido um princípio de rebelião na cadeia. “Na hora de entrarem no pátio, eles se rebelaram”, diz. Como forma de protesto, os presos começaram a entoar hinos em homenagem ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ameaçar a família dos policiais caso houvesse alguma forma de repressão em razão da ação.

Todas as celas da unidade passaram por minuciosa vistoria feita por policiais civis do município e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Botucatu, além da Tropa de Choque da Polícia Militar (PM), no total de 50 policiais. Apesar da suspeita de que haveria armas no local, nada foi encontrado.