09 de julho de 2026
Internacional

Republicanos mantêm luta contra reforma

Folhapress
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Nova York - O presidente dos EUA, Barack Obama, deve sancionar hoje a reforma do sistema de saúde, definida por ele como “uma vitória do povo americano”, “após quase cem anos de debate e frustração”. Mas a aprovação da nova legislação, que aconteceu anteontem sem nenhum voto republicano, representou o início de uma nova batalha contra os democratas.

Ontem, a oposição foi rápida ao divulgar declarações de repúdio à reforma, ameaçando anulá-la e, principalmente, usá-la contra os democratas nas eleições legislativas de novembro. Pesquisas feitas antes da votação mostravam que a maior parte dos americanos desaprova a reforma.

A oposição não ficará restrita ao discurso: em ao menos 30 Estados, republicanos já apresentaram projetos para tentar limitar pontos da reforma por meio de emendas locais. Procuradores de ao menos três Estados também já anunciaram que questionarão a constitucionalidade da lei.

E, hoje, congressistas do partido prometeram tomar todas as medidas possíveis para atrapalhar a aprovação, no Senado, de um pacote de emendas orçamentárias que ainda imporá mudanças à reforma - que só depende da assinatura do presidente para vigorar, mas que pode ter regras afetadas ou adiadas pelas emendas.

O líder republicano no Senado, Mitch McConnell (Kentucky), afirmou que as emendas piorariam ainda mais a reforma já aprovada.

“Os líderes democratas querem que a gente pegue a lei que passou pelo Senado em dezembro e que a Câmara votou anteontem e faça com que o aumento de impostos seja maior ainda”, criticou.

Em meio a ataques da oposição, os democratas anteontem pediam trégua. “É hora de nos acalmarmos, republicanos. Deixem que a legislação funcione, deixem que nossos eleitores finalmente tenham plano de saúde”, pediu o deputado Bob Filner, da Califórnia.

O porta-voz da Presidência, Robert Gibbs, reconheceu anteontem que “haverá muitas coisas com as quais teremos de lidar nas próximas semanas, meses e anos para que a reforma seja implementada”, mas afirmou também que, para Obama, a vitória “significou mais que qualquer eleição”.

Os ataques republicanos são principalmente motivados pela obrigatoriedade do plano para todos os americanos, que pagarão multa caso não respeitem a lei. O presidente chegou a ser chamado de socialista e comunista por defender maior intervenção do governo no setor.

Segundo a nova legislação, todos deverão ter um plano, por meio do empregador ou de subsídios do governo. Segundo o Escritório de Orçamento do Congresso, a reforma custará US$ 938 bilhões em dez anos, mas reduzirá o deficit público a longo prazo.

Para Rob Simmons, candidato republicano ao Senado, “Washington deu um sinal de desprezo ao povo, aumentando a montanha de dívidas que já assombra o futuro das crianças’’.

A presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, disse que a reforma era um feito comparável à criação no país da previdência social nos anos 30 e, nos anos 60, do Medicare, programa que garantiu atendimento médico a pessoas com mais de 65 anos.