09 de julho de 2026
Bairros

Tuberculose: 79 novos casos em um ano

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A tuberculose, doença causada pelo bacilo de Koch, é antiga e ainda mata, apesar de muitos acharem que está erradicada. A moléstia tem cura, mas o problema é que parte dos pacientes abandona o tratamento, que dura seis meses e é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Bauru no ano passado foram registrados 79 novos casos da doença. Hoje, no Dia Mundial de Combate à Tuberculose, a Secretaria de Estado da Saúde enfatiza a importância da continuidade no tratamento para diminuir a incidência de mortes.

“Já nos primeiros dois meses do tratamento o paciente tem uma melhora rápida. Então muitos deixam de tomar os remédios corretamente ou até param o tratamento”, explica o pneumologista Carlos Sacomandi, do Serviço de Moléstias Infecciosas da Secretaria Municipal de Saúde.

A doença é transmitida através do espirro, tosse e até pela fala do portador de tuberculose. Os bacilos, que estão nas gotículas de saliva, ficam dispersos no ambiente e são aspirados por outra pessoa. “Na tuberculose pulmonar o doente transmite o bacilo através desses atos pois estão diretamente ligados ao pulmão”, afirma o médico. Tem maior propensão a adquirir a doença pessoas que possuem baixa imunidade, de baixa renda que moram em aglomerados, que frequentam lugares fechados muito movimentados e presidiários.

O que poucos sabem é que o mesmo bacilo da tuberculose pulmonar pode atingir outros órgãos, como rins, fígado, olhos, meninge (membrana que reveste o cérebro) causando variados tipos da doença. “Como o bacilo que atinge o pulmão pelas vias respiratórias cai rapidamente na corrente sanguínea, ele pode afetar qualquer órgão”, explica o médico.

O bacilo de Koch causa uma necrose no órgão atingido, que futuramente perderá a sua função. “A mesma pessoa pode ter tuberculose pulmonar e gástrica por exemplo, mas essa é menos provável pois ao cair no suco gástrico o bacilo dificilmente sobrevive”, completa Sacomandi. A doença mais comum é a pulmonar, por ter um contato direto com o bacilo através das vias aéreas.

Os remédios contra a tuberculose podem ter efeitos colaterais como enjoo, náuseas, dores no estômago e, em casos extremos, pode desencadear alergia na pele. Dos que se submetem ao uso do medicamento, 90% se curam e dos 10% restantes, 80% se tornam pacientes crônicos e demoram cerca de um ano e meio para se curar. O restante morre. Os doentes crônicos são encaminhados ao centro de referência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde recebem um atendimento mais direcionado, porém com os mesmos medicamentos.

A prevenção também é muito importante. Bebês até 1 ano devem tomar a vacina BGC, que protege as formas mais graves da doença, como a meningite tuberculosa. “Além disso devemos ter uma boa alimentação, evitar lugares superpopulosos, evitar contato com doentes sintomáticos e lavar bem as mãos”, frisa o médico.

Quem tiver os sintomas da doença deve procurar atendimento nas unidades básicas de saúde onde fará os exames específicos. Se for constatada a doença, a própria unidade pode iniciar o tratamento do paciente.