10 de julho de 2026
Bairros

Vacina contra gripe A não exige comprovação de doente crônico

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Mesmo sem levar qualquer documento, o portador de doença crônica deve ser vacinado contra a gripe A nas unidades básicas de saúde de qualquer lugar do País. A informação foi reiterada ontem pelo Ministério da Saúde e também pelo secretário Municipal de Saúde de Bauru, Fernando Monti.

No entanto, anteontem, por conta de um erro de interpretação de funcionários da unidade básica de saúde do Centro, o delegado de polícia aposentado Cícero Prentice Barbosa Junior teve a imunização negada por não ter como atestar o problema de saúde. A recusa foi considerada uma falha pelo próprio secretário, que mobilizou a pasta e vacinará o usuário em sua própria residência. Barbosa Junior aguardou por uma hora e meia na fila para, então, ter o direito negado, segundo escreveu à Tribuna do Leitor do JC.

Funcionários haviam entendido, durante curso de capacitação com representantes do Ministério da Saúde, que era necessário fazer a exigência. “É uma compreensão equivocada. Não tem que burocratizar essa questão”, admite Monti, segundo quem não houve outros problemas de natureza semelhante. Mas para que pessoas sem qualquer problema e fora do grupo de risco não aproveitem a situação para tomar a vacina, o secretário vai reiterar a orientação para que o profissional de saúde dialogue com o usuário que se apresentar como portador de doença crônica.

A ideia é que ele pergunte informações sobre o problema de saúde, qual médico acompanha o paciente e, assim, analise a consistência da informação. “Se a gente perceber que não é bem isso, vamos avaliar”, acrescenta o titular da Saúde em Bauru. Monti explica que não existe um levantamento exato de quantas pessoas nessa faixa devem ser vacinadas. “Não há nenhum dado seguro de quantos são hipertensos, diabéticos, por exemplo. Não só em Bauru, mas em lugar nenhum do Brasil tem dado seguro. Temos estimativas, aproximações”, comenta.

Prioridades

Até sexta-feira, quando imunização contra o vírus H1N1 ainda estava em sua primeira etapa e focava especificamente profissionais de saúde, Bauru aplicou 4.443. A administração municipal ainda não dispõe de levantamento atualizado sobre quantas outras aplicações foram feitas desde segunda-feira, quando começou a segunda etapa. Neste caso, além de portadores de doenças crônicas, também devem ser imunizadas gestantes e crianças entre 6 meses e próximas dos 2 anos de idade. Já idosos com idade serão vacinados na próxima etapa, a partir de 24 de abril.

Apesar das datas, o profissional de saúde que ainda não foi imunizado pode reivindicar a vacina desde que ainda haja dose específica para esse grupo. É o caso do próprio secretário municipal de Saúde, que ontem pela manhã ainda não havia encontrado tempo para tomar a vacina. A expectativa dele era resolver a pendência ainda ontem. Aproveitou a oportunidade para reiterar a segurança da vacina. Garante que se houvesse qualquer problema ou dúvida sobre ela deixaria a população informada, como fez na época da imunização contra a febre amarela, cuja dose, depois de aplicada, pode provocar alguns feitos colaterais.

“Embora a vacinação não seja para toda a população indiscriminadamente, com ela faremos um cinturão de bloqueio na transmissão do vírus. Terá impacto inclusive entre as pessoas não vacinadas. A chance de alguém adquirir H1N1 vai diminuir porque a circulação do vírus vai diminuir”, conclui.

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Ministério Público Federal

O procurador da República Fabrício Carrer solicitou, no ano passado, informações à Secretaria Municipal de Saúde sobre os casos de gripe A em Bauru. Os dados já foram encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde, informa o titular da pasta, Fernando Monti. O procurador, no entanto, ainda não os recebeu. Segundo o JC apurou, o ofício estaria em cartório prestes a ser entregue a Carrer.

O interesse do Ministério Público Federal era checar, por exemplo, se o tratamento contra o vírus H1N1 estava disponível a todos os pacientes e se o critério para estabelecer casos prioritários estava tecnicamente correto. Bauru somou 128 casos da doença (parte confirmada por exames e parte por critério epidemiológico). Ao todo, oito pessoas morreram. Assim como no caso da vacina, foram internadas as pessoas infectadas com quadro grave ou pertencentes ao grupo de risco.

“Em Bauru, nós não tivemos qualquer restrição de tratamento para quem necessitava. O último caso registrado foi em novembro e ninguém está aguardando resultado”, conclui Monti.