Washington - O presidente dos EUA, Barack Obama, assinou ontem a lei que reforma o sistema de saúde americano, em cerimônia seguida de aplausos.
Em discurso buscando convencer a população sobre os benefícios da mudança, Obama afirmou que a legislação vai reduzir o deficit americano em mais US$ 1 trilhão.
A atmosfera festiva da sanção da reforma refletiu-se em momentos de abandono da formalidade do discurso. O principal deles protagonizado pelo vice-presidente dos EUA, Joe Biden, que, ao passar a palavra a Barack Obama, o congratulou e disse, ao seu ouvido: “This is a big fucking deal’’, algo como “esse é um puta momento”.
O microfone ampliou o comentário pessoal, e logo a mídia americana se encarregava de reproduzi-lo, omitindo o palavrão, que se espalhou pela web. Até esta noite, Biden não havia falado sobre a cena. Mas, no Twitter, o porta-voz da Presidência, Robert Gibbs, demonstrou seu apoio: “E, sim, sr. vice-presidente, você tem razão”.
Negociações
A cobertura de saúde nos Estados Unidos é discutida desde a Presidência de Theodore Roosevelt (1901-1909), mas uma reforma nunca havia sido aprovada.
O sistema americano de saúde é questionado há quase um século. Gerações inteiras de líderes, de Theodore Roosevelt a Bill Clinton (1993-2001), não conseguiram a aprovação de projetos, que eram rejeitados pelos médicos e as empresas de plano de saúde.
Os EUA são o único país desenvolvido que não oferece um sistema de saúde amplo para seus cidadãos, com quase 50 milhões de americanos sem nenhum tipo de cobertura médica. Apesar do projeto não oferecer cobertura universal, como no Brasil, ele expande a cobertura para cerca de 95% dos americanos.
A votação veio após um ano de confrontos políticos e de uma semana dramática, na qual Obama se viu obrigado a adiar uma viagem pela Ásia para obter os apoios para a aprovação do projeto.
Estados contras
Catorze Estados americanos entraram com processo na Justiça ontem questionando a constitucionalidade da reforma no sistema de saúde dos Estados Unidos, momentos após o presidente Barack Obama ter assinado o histórico projeto de lei.
Os governos de 13 Estados -12 republicanos e um democrata -, liderados pela Flórida, entraram com uma ação alegando que a reforma viola os direitos dos Estados garantidos pela Constituição americana. O procurador-geral republicano da Virgínia abriu um processo separado.
A ação diz que a lei viola a cláusula comercial da Constituição ao exigir que quase todos os norte-americanos possuam um seguro de saúde.
Outros 34 Estados deram início ou anunciaram intenção de dar início a uma legislação semelhante, segundo a Conferência Nacional de Legislação Estadual.