09 de julho de 2026
Cultura

Danilo Caymmi trabalha em disco autoral

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 2 min

Alguns roem as unhas, outros são sinceros em excesso. Há os considerados “bocas sujas” por falarem palavrões demais. Já o péssimo hábito de Danilo Caymmi é passar horas e horas deitado em seu sofá tocando violão, diante da TV.

Sorte nossa que o compositor de sucessos como “Andança” (feito em parceria com Paulinho Tapajós) e “Casaco Marrom” (parceria com Renato Correia e Guarabyra), aos 45 anos de carreira, quer mais é continuar dedicando-se ao que faz de melhor.

Em fase de preparação de um novo disco, que deve ser lançado este ano, Danilo pretende revitalizar antigas parcerias - como Dudu Falcão - e produzir um trabalho “para pensar”, como gosta de definir. “Será um disco mais autoral, bem trabalhado, artístico mesmo. Há muito tempo que eu não entro no estúdio e quero fazer música para ouvir e pensar”, resume o músico, durante bate-papo com a imprensa ontem, poucas horas de subir ao palco do Alameda Quality Center para abrir a série de shows “Era de Ouro”.

Mesmo depois de tantas composições, Danilo não sabe precisar a receita de um sucesso ou a razão de versos como “Me leva amor/Por onde for quero ser seu par” serem eternizados. “O negócio de ‘Andança’, por exemplo, foi tão surpreendente para mim, porque eu era muito novo quando fiz. E fico surpreso com o sucesso dessa música até hoje”, comenta.

“Acredito eu que o sucesso é pelo contracanto (linha melódica que acompanha a melodia principal, porém de forma independente). Tapajós costuma dizer que ‘Andança’ são duas canções que se namoram”, arrisca.

Para o músico, o melhor mesmo é se deixar levar. “As vezes você pode achar que fez uma canção que vai ser sucesso e não acontece absolutamente nada. Uma coisa que eu percebi é que quando as coisas fluem naturalmente é que dão mais certo. Sai de você, você não sabe de onde veio, é inexplicável”, acredita.