“O público brasileiro tem muita paixão. Eles gritam, aplaudem, são muito expressivos. É muito importante para nós a maneira como vocês reagem”, comenta Sean Mckown, diretor artístico do “Quidam”, do Cirque du Soleil, sobre a plateia que, para ele, tem “fogo no sangue”. Mckown e parte de sua equipe estiveram anteontem, em Bauru, para acompanhar a apresentação de dois dos atos do espetáculo, promovida pelo Alameda Quality Center para convidados.
Depois do sucesso da passagem pelo Brasil de “Saltimbanco” e “Alegria”, “Quidam” já foi apresentado em Fortaleza, Olinda, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro, além de São Paulo - onde segue em cartaz até domingo -, e Porto Alegre, para finalizar a temporada brasileira. “O Brasil é um país bom para desenvolvermos porque é exigente. E temos muito pedidos para virmos para cá, não tem como não vir”, justifica Mckown.
Para o diretor, o Cirque du Soleil - reconhecido pela teatralidade e estruturas modernas, aliadas a números de impacto -, procura, a cada espetáculo, aumentar seu nível acrobático e modernidade, sem perder sua essência. “De um show para outro fazemos uma avaliação para saber o que podemos melhorar. Há uma evolução constante e muitas mudanças, apesar de mantermos a nossa integridade e identidade”, comenta. “Cada ato é trabalhado de forma particular para elevar sempre os padrões”, completa.
Apesar do fascínio que causa no público, Mckown acredita que o formato de espetáculo do Cirque du Soleil não irá acabar com o circo tradicional. “Todos inovamos bastante. Há 14 anos, nenhum outro circo trabalhava com tecido. São padrões diferentes, mas tem espaço para os dois no mercado”, acredita.
Espetáculo
Foi com gostinho de quero mais que o público presente no Alameda curtiu a apresentação de dois dos sete atos que integram o espetáculo. Pela primeira vez em “Quidam”, a performance “German Wheel” foi criada a partir de um exercício alemão de ginástica, onde o artista transforma-se em um raio humano enquanto roda, gira, rodopia e manobra a roda.
Outro destaque da apresentação foi a artista russa Olga Pikhienko, 30 anos, que iniciou na ginástica rítmica aos cinco anos. “Ela está conosco desde a criação do Quidam. É uma jovem que se tornou mãe e estamos felizes que tenha continuado com a gente”, afirma Sean.
Em “Hand Balancing”, Olga se apoia e equilibra sobre varas. “A disciplina que temos que ter com os treinos acaba sempre sendo a parte mais difícil”, comentpu, após a apresentação a artista, que desde 1996 integra o Cirque.