Ouvi a frase acima em 1971 (eu tinha 30 anos) da boca de Roberto, filho do querido professor José Benedicto Pinto. Referia-se ele à figura de Cristo. Católico praticante, aquilo me chocou. Referir-se a Cristo como um louco romântico foi demais para minha cabeça. Hoje,agora com muita quilometragem já rodada pela estrada da vida, entendo a profundeza dita por um adolescente, a nos mais novo do que eu. Dizia Roberto que Cristo foi um louco, porque quis mudar o “status quo” em que se atolava a alma humana. Romântico, porque tudo fazia em nome do amor. O sentimento predominando sobre a razão.
Ele tem 73 anos de idade.Anda sempre alinhado, de paletó e gravata.Mesmo nos dias em que prospera um sol de rachar mamona. Sua epiderme é da cor do ébano. Faz aquilo que todos nós, cristãos, deveríamos fazer. Prega pelas ruas, pelas praças. Não tem vergonha de pregar a palavra de Deus. Às vezes, na Nações com a Rodrigues Alves. Às vezes, sobre o viaduto da 13 de Maio. Às vezes, n a Duque. Às vezes, na Praça Rui Barbosa. Até na feira de domingo, na Gustavo. Sua eloquência na oratória me remete ao padre Vieira, na sua obra clássica: “Sermões”, proferindo catilinárias contra a hipócrita sociedade maranhense.
A multidão passa indiferente por ele. Cada qual embutido dentro de seu egoísmo. Nós, que nos intitulamos cristãos,fazemos ouvidos de mercador diante daquele que prega em locais cheios de gente. Não somos capazes de parar e ouvir o que ele tem a dizer ao mundo. Seguimos, com frieza, nosso caminho. Ele que pregue aos quatro ventos,estamos numa democracia e assunto encerrado. Temos mais o que fazer, não temos tempo a perder.
Como Cristo, ele é um louco romântico. Pastor Varme de Oliveira, por detrás do mito de pregador fanático existe um ser humano com muita consciência do que faz. Basta parar e conversar com ele.
Gilberto Sidney Vieira - professor