10 de julho de 2026
Política

Denasus priorizará irregularidades na bucomaxilo em auditoria na AHB

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Três técnicos do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) estiveram ontem em Bauru, onde se reuniram com as autoridades da cidade que investigam irregularidades nos hospitais geridos pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Na oportunidade, ficou definido que os pagamentos irregulares no setor bucomaxilo serão o principal alvo do pente-fino, previsto para ser iniciado no dia 12, na própria cidade.

Trabalhava no setor o dentista Marcelo Saab, filho do ex-presidente da associação, Joseph Georges Saab, acusado de receber supersalários. O dentista, inclusive, reivindica mais de R$ 450 mil da associação gerida pelo próprio pai até a Operação Odontoma. Em ação, ele aponta descumprimento da legislação trabalhista por parte da entidade, onde alega que atuou com afinco. Extraoficialmente, comenta-se que a iniciativa é para justificar o salário dele muito acima dos colegas de profissão.

Ao focar o setor de bucomaxilo, o Denasus poderá auxiliar policiais federais e Ministério Público (estadual e federal), onde as investigações sobre a duplicidade de documentos para receber de forma ilícita do Sistema Único de Saúde (SUS) estão bem adiantadas - inclusive com provas. Com a colaboração dos auditores da União, a expectativa é que os envolvidos na operação sejam mais rapidamente indiciados e que as ações (tanto na esfera criminal quanto civil) sejam ajuizadas de forma mais célere. A expectativa é a de que em 30 ou 60 dias, o Denasus já apresente um relatório oficial.

Etapas

Como os problemas envolvendo a AHB são muitos, é provável que a auditoria da União seja feita em duas etapas. Na primeira delas, a coleta de materiais deve ser concluída (ou bastante adiantada) até dia 16, quando os auditores voltam para São Paulo. No entanto, a solicitação de documentos deve começar antes da vinda dos técnicos, por volta do dia 8. A reportagem apurou que a AHB terá de alocar uma equipe própria só para atender às solicitações.

Inicialmente, eles trabalharão na própria associação, mas o prédio da Polícia Federal também foi uma opção aventada – até porque vários outros documentos estão sob análise dos policiais. Conforme a instituição veiculou, a PF desmembrou o caso em quatro inquéritos. O referente ao empréstimo de R$ 16 milhões e seu destino ainda será distribuído. O valor também é alvo de uma auditoria da própria AHB.

Antes do trabalho ser iniciado, o JC veiculou que o pagamento de tributos, quitação de dívidas e compra de materiais e medicamentos foram os prováveis destinos do empréstimo. Mas R$ 4 milhões desse total foram utilizados para pagar uma dívida que seria do próprio presidente da entidade, Joseph Saab. As atuais investigações vão confirmar.

A auditoria do Denasus foi solicitada tanto Polícia Federal quanto a Procuradoria da República.