10 de julho de 2026
Internacional

ONU sugere indenização a palestinos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Genebra - Israel deveria pagar indenização aos palestinos por perdas e danos sofridos na guerra do último ano na faixa de Gaza, sugeriu ontem o Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas). O grupo, formado por 47 países e com sede em Genebra, não pediu pagamentos similares por parte dos palestinos.

O embaixador israelense Aharon Leshno-Yaar disse que a decisão é enviesada e difamatória, e não ajudaria em nada na reaproximação de palestinos e israelenses.

A proposta, do Paquistão, foi apoiada ontem por uma maioria de 29 votos. Foram seis votos contrários - dos Estados Unidos e mais cinco países europeus - e 11 abstenções. Um país, o Gabão, não votou.

O Conselho, na prática, é dominado por um bloco de países em desenvolvimento, no qual a Organização da Conferência Islâmica tem forte influência, e que obtém rotineiramente o apoio de China, Rússia e Cuba.

A resolução também sugere que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha investigue o suposto uso de fósforo branco por Israel no conflito de três semanas, que acabou em janeiro de 2009. O uso do composto é proibido pelas leis internacionais.

Outras resoluções

Ontem o Conselho também aprovou três outras resoluções condenando Israel por suas políticas nos territórios sírios e palestinos sob ocupação. Os Estados Unidos votaram contra as três.

Jordânia

O rei da Jordânia, Abdullah 2º, afirmou ontem que Israel “está brincando com fogo” ao insistir em novas construções na Jerusalém Oriental ocupada e que o Estado deve decidir se quer paz ou guerra com oa palestinos.

“Já advertimos em várias oportunidades que Israel está brincando com o fogo e a Jordânia rejeita e condena todas as medidas que buscam mudar a identidade de Jerusalém, desocupando a cidade de seus habitantes árabes cristãos e muçulmanos”, disse o rei à imprensa jordaniana.

“Jerusalém Oriental deve ser a capital de um Estado palestino independente que deve ser estabelecido o quanto antes. Jerusalém faz parte dos territórios palestinos ocupados por Israel em 1967, e, tal como acontece com outros territórios, enfrenta ações israelenses unilaterais que são ilegítimas e ilegais, e resultarão em novos conflitos’’, alertou Abdullah 2º, cujo país assinou um tratado de paz com Israel em 1994.

Os comentários do rei jordaniano mostram sua frustração com os recentes anúncios de novas construções israelenses em territórios ocupados de Jerusalém Oriental, que os palestinos pleiteiam como capital do futuro Estado.

Pressão sobre Israel

O presidente americano, Barack Obama, pressionou o premiê israelense, Benjamim Netanyahu, para que Israel retome as conversações de paz com os palestinos, informou a Casa Branca ontem, um dia depois de os dois chefes de Estado se reunirem, a portas fechadas, em Washington.

“Obama pediu ao premiê israelense que tome medidas com o objetivo de construir confiança com os palestinos, para que haja mais progresso em direção da paz”, disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

Segundo o porta-voz, Obama quer que Netanyahu tome ações para convencer os palestinos a retomar as negociações indiretas - suspensas após o anúncio de mais construções na Jerusalém Oriental ocupada.

Gibbs afirmou, contudo, que ainda permanecem as diferenças entre Israel e Estados Unidos e que a Casa Branca busca “esclarecimentos” do plano de Israel de avançar com as construções em Jerusalém Oriental, cuja ocupação, em 1967, não foi reconhecida internacionalmente e que os palestinos pleiteiam como capital do futuro Estado.