09 de julho de 2026
Nacional

Casal é condenado por morte de Isabella


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O Tribunal do Júri do Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, condenou no início da madrugada de hoje Alexandre Nardoni, 31 anos, e Anna Carolina Jatobá, 26 anos, pelo assassinato de Isabella Nardoni, morta aos 5 anos, ao ser atirada pela janela do 6.º andar do apartamento onde vivia com o pai e a madrasta. O crime completa dois anos no dia 29 de março, próxima segunda-feira. No total, Nardoni foi condenado a 31 anos, 1 mês e dez dias de prisão e Jatobá a 26 anos e 8 meses.

As penas, curiosamente coincidem com as idades dos réus. O casal foi condenado por homicídio triplamente qualificado e fraude processual. Cabe recurso, mas o casal não poderá recorrer em liberdade.

A decisão foi tomada pelos jurados, que responderam a perguntas formuladas pelo juiz (veja quadro abaixo). As quatro mulheres e três homens do júri entenderam que os réus cometeram homicídio triplamente qualificado, por usarem meio cruel (asfixia), dificultarem a defesa da vítima, que foi arremessada pela janela inconsciente, e alterarem o local do crime.

O julgamento considerou agravante o fato de a menina ter menos de 14 anos de idade. Nardoni também foi condenado por cometer crime contra descendente. Os Nardoni vão cumprir a sentença em regime fechado.

O casal ficou algemado durante a leitura da sentença: Nardoni recebeu a pena de forma impassível e Jatobá, chorou. Eles retornarão ao presídio de Tremembé, no Interior paulista, onde já estavam havia quase dois anos. Esse período será abatido do tempo de condenação definido pelo juiz.

O veredicto foi comemorado pela multidão que acompanhou o resultado do julgamento do lado de fora do Fórum de Santana. Alguns manifestantes chegaram a soltar fogos de artifício.

Ao final, o júri se reuniu em uma sala secreta para responder a quesitos formulados pelo juiz. Eles decidiram se o casal cometeu o crime, se é culpado pela atitude, e se haveria agravantes ou atenuantes, como ser réu primário.

A sentença foi lida à 0h40 pelo juiz Maurício Fossen, do 2.º Tribunal do Júri do fórum de Santana (zona norte de São Paulo). Do lado externo do Fórum de Santana (na zona norte de São Paulo), muitas pessoas acompanhavam o fim do julgamento.

A voz do juiz foi transmitida por um sistema de auto-falantes para a imprensa e populares fora do Tribunal. O placar do júri não foi divulgado pois ao chegar ao saldo de quatro votos pela condenação encerra-se a contagem.

O julgamento teve início na segunda-feira, quando o casal se encontrou pela primeira vez desde maio de 2008. Em seguida, foram tomados os depoimentos das testemunhas. Os réus foram os últimos a serem ouvidos.

Nesta sexta-feira ocorreram os debates entre acusação e defesa. O promotor Francisco Cembranelli chamou o casal de mentiroso, tentou mostrar que Alexandre e Anna Jatobá estavam no apartamento no momento da queda da menina e que viviam uma relação conturbada. Já o advogado Roberto Podval contestou dados técnicos e usou detalhes, como um fio de cabelo, para sustentar falhas da perícia.

Ao longo dos dias, muitas pessoas foram até o fórum de Santana para protestar ou para tentar assistir ao júri. A plateia do 2.º Tribunal do Júri tem capacidade para 77 pessoas - reservada a jornalistas, assistentes da Promotoria e dos advogados da defesa, além de familiares dos réus e da vítima. O público era autorizado a entrar no plenário pela manhã e à tarde, após a pausa para almoço. O número era determinado pelo juiz.