O deputado federal Arlindo Chinaglia (PT) afirmou ontem em Bauru que ainda não está definida a candidatura do senador Aloizio Mercadante na sucessão estadual pelo partido. Ele defende amplo entendimento para evitar a realização de prévias, mas se isso não for possível considera democrática a eleição interna para os filiados escolherem o candidato a governador da legenda. Por enquanto, o nome mais cogitado é o de Mercadante para disputar a sucessão estadual numa coligação com partidos de oposição ao PSDB, mas o senador Eduardo Suplicy tem forçado a discussão interna.
A agenda eleitoral da pré-candidata a presidente de Dilma Rousseff acelerou o processo de escolha do candidato à sucessão ao Palácio dos Bandeirantes no diretório estadual, o que também é criticado por Chinaglia. “É um erro conduzir essa questão de forma apressada. O Suplicy tem toda legitimidade para ser ouvido e não está radicalizando. Ele ganhou todas as eleições que disputou ao Senado e teve mais votos do que Mercadante”, afirmou Chinaglia.
A pressa petista tem uma explicação: o Palácio do Planalto acha fundamental de se construir um palanque forte no Estado que dê sustentação à campanha de Dilma no maior colégio eleitoral do País.
Lula chegou até a articular a candidatura a governador do deputado federal Ciro Gomes (PSB) com apoio do PT paulista, mas não emplacou.
Ontem Chinaglia alfinetou a candidatura de Mercadante ao dizer que ela não deve ser um “pleito individual” e precisa do amplo apoio interno. “Estou dizendo que tem que ser conduzido esse processo com convencimento, se não for possível um acordo, prévia é democrática, mas para ela não ocorrer tem que ter negociação”, disse o deputado.
O nome de Mercadante tem ganhado força devido ao leque de alianças que aglutina. O PDT, PRB, PC do B, PPL e PR aceitam apoiá-lo. Só está de fora o PSB, do qual tem o nome do empresário Paulo Skaf como pré-candidato após a desistência de Ciro concorrer em São Paulo.
A vice-prefeita de Bauru e integrante do diretório estadual, Estela Almagro, disse que na eleição deste ano o PT terá no palanque seis partidos, o que é um diferencial em comparação a eleições anteriores quando o partido só coligou com o PC do B.
Chinaglia afirma que sempre defendeu que o partido tivesse candidato próprio a governador, principalmente quando se aventava Ciro Gomes o candidato com apoio do PT. “Muitos defendiam em Brasília a candidatura de Ciro por ter sido indicação de Lula, mas aqui no Estado defendiam candidatura própria. Nunca achei que o Ciro fosse melhor do que candidatos do PT. Mesmo os nomes de Mercadante e Marta Suplicy têm mais nome, mas não são obrigatoriamente melhores candidatos do que outros do partido”, disse o deputado.
Suplicy tem defendido que o partido faça uma ampla pesquisa de intenção de voto para verificar quem é o candidato melhor avaliado para concorrer na sucessão estadual. Chinaglia confirmou que tem conversado com Suplicy e concorda que pelo menos ele tem que ser ouvido no partido.
Antes de marcar uma data para confirmar o nome de Mercadante, o PT terá de convencer Suplicy a desistir de sua pré-candidatura ao governo paulista, já registrada no partido. A Executiva do partido em SP prevê uma reunião com o senador na próxima segunda-feira na sede do partido. Chinaglia não acredita que na segunda-feira saia uma decisão.