10 de julho de 2026
Política

Campanha ‘O voto é nosso’ terá pesquisa qualitativa

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 4 min

Lançada ontem pelo Grupo Pró-Bauru, no auditório do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), a primeira ação da campanha “O voto é nosso” será o desenvolvimento de uma pesquisa qualitativa para identificar quais influências sofrem os bauruenses na hora do voto e os motivos que os levam a não votar em candidatos da cidade. O diagnóstico será feito em parceria da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Faculdades Integradas de Bauru (FIB), Instituição Toledo de Ensino (ITE) e Universidade do Sagrado Coração (USC), a partir de abril.

“O assunto vem sendo discutido há três meses. O objetivo é conscientizar a população da importância do comparecimento às urnas. Não vamos entrar no mérito das eleições para governador e presidente, nem iremos trabalhar para candidatos. Queremos apenas que os bauruenses vistam a camisa de Bauru”, afirma o diretor-regional do Ciesp e presidente do Pró-Bauru, Domingos Malandrino.

Segundo ele, nas últimas eleições para deputado o número de abstenções foi 30% superior ao número de pessoas que foram às urnas nas eleições municipais. “As instituições de ensino farão a conscientização de forma técnica, por meio de pesquisas qualitativas e quantitativas.” Todo trabalho desenvolvido deverá ser divulgado por meio de um site e da rede social, o Twitter, que ainda serão lançados.

A coordenadora do curso de Comunicação da FIB, Maria Eugênia Porém, informa que a pesquisa é a ação fundamental para o início da campanha. A ideia é que os votos não fiquem pulverizados. “Fizemos um esboço de atuação e vamos pautá-la em cima dessa pesquisa. Para isso, dividimos a população de Bauru em alguns grupos, e com base nisso, vamos identificar o perfil e suas motivações para o voto”, diz.

Após a eleição, haverá ainda a medição da atuação do deputado eleito. “Ao final deste trabalho, o ideal é que fique claro que o maior beneficiado é a população de Bauru. Precisamos pisar firme, que esse chão é nosso”, afirma Antonio Eufrásio de Toledo Filho, da ITE. Para o professor do curso de Comunicação da USC, Vitor Brumatti, a campanha pretende mudar o imaginário político dos bauruenses. “Queremos agregar forças, sem nenhum interesse partidário, mas com interesse em Bauru.”

Ao longo da campanha, o grupo pretende desenvolver pesquisas quantitativas de intenção de votos com candidatos bauruenses à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados Federal, nos meses que antecedem as eleições. Não está descartada a possibilidade de debates entre os candidatos locais. O GPB deverá buscar parcerias com instituições privadas para ajudar a custear os gastos da campanha.

Números

Dos 190.523 eleitores bauruenses que compareceram às urnas nas últimas eleições parlamentares estaduais e federais, em 2006, 27,30% deram seus votos para candidatos de outras regiões do Estado na eleição para a Assembleia Legislativa. Entretanto, na disputa de deputado federal, 47,61% dos bauruenses votaram em candidatos de fora, distribuindo mais de 77 mil votos em candidatos à Câmara dos Deputados de outras regiões que dobraram com correligionários locais ou apenas apostaram na distribuição de santinhos para levar daqui a metade dos votos válidos.

Portanto, quase 30% dos votos dos bauruenses foram para candidatos a deputado estadual de fora e praticamente metade dos sufrágios ficou com candidatos a deputado federal de outras localidades. O fenômeno da pulverização de votos para candidatos de fora atingiu tal proporção em 2006 que dos cerca de 104 mil votos válidos em Bauru para deputado federal, mais de 77 mil deles foram distribuídos entre os “paraquedistas”.

Os candidatos a federal em Bauru eram 11 e o bauruense distribuiu votos para centenas de nomes. Os primeiros quatro nomes mais votados foram da cidade, porém, o restante da lista era formada de forasteiros. Arnaldo Madeira (4.495), Enéas (3.583), Antonio Bulhões (3.548), Clodovil (3.435), José Aníbal (3.110), Edson Aparecido (3.079), José Carlos Stangarlini (2.631), Paulo Maluf (2.315), Celso Russomanno (1.994), Aldo Rabelo (1.711), Renato Simões (1.382) e Regis de Oliveira (1.070) encabeçam a lista dos mais votados em Bauru.

Intenção

Uma consulta ampliada (1.115 pessoas ouvidas) feita pelo JC no início deste ano com a população bauruense revelou que 68% da população eleitora (cerca de 167 mil eleitores de um total previsto de 245 mil) está disposta a votar em candidatos da cidade nas eleições de 3 outubro deste ano. 32% votariam em candidatos de outras localidades.

Um dos maiores problemas em relação à fraca representatividade de Bauru na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal deve-se ao excessivo número de votos obtidos aqui por candidatos de outras localidades, os chamados “paraquedistas”. Outro problema é o também excessivo número de candidatos que os partidos locais têm lançado, a maioria, como as últimas eleições demonstraram, sem a menor viabilidade eleitoral, apenas contribuindo para a dispersão dos votos entre todos.