São Paulo - Um protesto de professores, com o objetivo declarado de “quebrar a espinha dorsal” do governo José Serra (PSDB), terminou em confronto entre a Polícia Militar e os manifestantes, com feridos dos dois lados.
No início da manifestação, a presidente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede paulista que lidera o protesto), Maria Izabel Noronha, gritou do alto de um carro de som: “Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador”.
O confronto com a PM ocorreu quando os manifestantes se dirigiam de um dos portões do estádio do Morumbi para o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo. Um cordão de isolamento, formado por cerca de 100 policiais militares, impediu a passagem dos manifestantes pela avenida Giovanni Gronchi.
Após minutos de tensão, os manifestantes decidiram avançar sobre os PMs atirando paus, pedras, sacos de lixo, cones de trânsito e até um caixão. Foram então contra-atacados primeiro com spray de pimenta e depois com bombas de efeito moral e balas de borracha.
De acordo com a PM, houve 20 feridos, ao menos sete deles policiais. A polícia afirmou que um manifestante foi levado para a delegacia por atirar pedra nos policiais e por tentar colocar fogo em um carro. O governador Serra não estava no Palácio dos Bandeirantes no momento da manifestação. Cumpria agenda no interior do Estado. Uma norma estadual determina que as ruas do Palácio são área de segurança e não podem receber atos desse tipo.
A reportagem viu três manifestantes feridos - dois sangrando e um atingido por bala de borracha disparada pela polícia.
Alguns manifestantes levaram crianças para o ato. “A polícia não vai nos segurar. Serra não vai ganhar’’, gritava um sindicalista no carro de som.
Os confrontos se estenderam pelo início da noite de ontem. O primeiro embate aconteceu às 17h30, mas quase duas horas depois ainda havia focos isolados e era possível escutar o barulho de bombas.
PT x PSDB
A sindicalista Maria Izabel é filiada ao PT e sua entidade é ligada à CUT, o braço sindical do partido. Na noite anterior, estava em evento com a pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.
Liderados pela Apeoesp, os professores estaduais deram início a uma greve no último dia 8. Eles pedem um reajuste salarial de cerca de 34%. O governo de São Paulo afirma que não tem dinheiro para conceder o aumento.
Segundo a PM, cerca de 5 mil pessoas participaram do protesto. Na versão do sindicato, foram 20 mil manifestantes.
Os professores convocaram a próxima manifestação para a quarta-feira, justamente o dia em José Serra deixará o governo paulista para se candidatar à Presidência. O ato está marcado para a avenida Paulista.
A greve, segundo o sindicato, conta com a adesão de mais de 60% dos professores. Para a Secretaria de Estado da Educação, por outro lado, o movimento não afeta mais que 1% das escolas estaduais.
Dez representantes dos professores foram recebidos no Palácio dos Bandeirantes pelos secretários-adjuntos da Casa Civil, Humberto Rodrigues, e da Educação, Guilherme Bueno. Segundo a Apeoesp, o governo disse que não negocia com os manifestantes enquanto continuar a greve.