08 de julho de 2026
Geral

No trânsito, atitude é vida ou morte

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Os números assustam e sempre alertam para o perigo no trânsito, seja pela combinação perigosa entre bebida alcoólica e direção, por excesso de velocidade, descaso sobre a utilização de equipamentos obrigatórios de segurança ou por outros gestos de imprudência na direção.

Apesar da frieza expressada pelos números, como as cinco mortes já contabilizadas nos acidentes de trânsito em Bauru neste ano, as estatísticas não param de crescer. Os índices retratam uma guerra em que o vencedor, no caso, é o vazio deixado por vidas perdidas.

Há também as sequelas nos sobreviventes, que carregam para sempre os sons, visão e outras sensações nada desejáveis que apenas a fração de segundos dentro de um veículo no momento do acidente pode tatuar na mente e corpo.

Na bifurcação entre vida e morte, apontam vítimas, familiares, policiais ou terapeutas ligados à psicologia do trânsito, apenas o caminho da responsabilidade com a própria vida e também com a dos outros pode deixar de fazer de ruas e rodovias um campo de batalha.

Apesar das inúmeras e insistentes campanhas de conscientização empreendidas por entidades não governamentais, além das ações protagonizadas pela própria Polícia Militar, a imprudência ainda é a principal causa de acidentes, avalia o tenente André Saito Arashiro, comandante da Base Sul da PM e responsável pela Companhia de Trânsito na cidade.

“Se houvesse respeito às normas, não haveria necessidade nem de fiscalização”, afirma o oficial, que ministra palestras em empresas e escolas sobre conscientização ao volante. “Promovemos semanas especiais de orientação para o trânsito em busca de prevenção, mas ainda vemos muita ocorrência provocada por excesso de confiança ou de acidentes causados por motoristas que na hora exerciam outras tarefas, como troca de um CD ou uso de celular”, exemplifica o tenente.

No caso do manuseio de CD ou celular, Arashiro alerta que, em ambos os casos, o condutor desvia cerca de 20 segundos de concentração. “É tempo suficiente para que uma criança, que invada a via, seja atropelada”, ilustra.

Números

Em Bauru, no ano passado, 32 pessoas perderam a vida nas ruas da cidade, apenas considerados dados referentes ao policiamento urbano, sem contar ocorrências registradas nas rodovias que cortam o município. Nos dois primeiros meses de 2010, cinco pessoas morreram no trânsito em Bauru.

Para o tenente Haroldo Carlos Monteiro, da 1ª Companhia da Polícia Militar na cidade, apesar de constantes autuações, muitos condutores insistem em manter atitudes imprudentes, desprezando o risco que correm e implicam aos demais.

“A quantidade de autuações aumentou muito, bem como a recolha de veículos. O problema está na conscientização”, aponta. “Não são raros os motociclistas que não aguardam o sinal verde e passam cruzamentos antes da liberação. Se algum outro veículo passa no cruzamento ao tentar aproveitar o sinal amarelo, do outro lado, é colisão na certa”, exemplifica o oficial, ao citar que, recentemente, o policiamento de trânsito em Bauru chegou a lavrar 190 autuações em apenas um final de semana.

Mas não é somente atrás de volante ou guidão que a irresponsabilidade resulta em tragédia. Os pedestres – 13 morreram nas ruas de Bauru ano passado – também têm parcela de responsabilidade nas tristes estatísticas. “Muitos pedestres desprezam as passarelas ou atravessam as ruas longe da faixa de segurança”, acentua o tenente Arashiro.

Ano passado, nas estradas estaduais que cortam a cidade e nos outros municípios que estão sob a jurisdição do 2º Batalhão de Polícia Rodoviária, morreram 48 pessoas. Em janeiro e fevereiro de 2010, 12 vítimas perderam a vida nas estradas da região, o que representa aumento de 140% em relação ao mesmo período do ano passado, quando cinco pessoas morreram.