07 de julho de 2026
Ser

Minha história


| Tempo de leitura: 3 min

Foi pura coincidência. Não estava programado acontecer, mas aconteceu. Passava em frente à casa dela no exato momento em que ela abria o portão da garagem. Não tinha como evitar o encontro involuntário. Estava a pé, rente ao portão. Tive vontade de dar meia-volta, evitando que nossos olhos se cruzassem. Porque era vontade expressa dela que não a procurasse, em hipótese alguma.

Segundo ela, eu estava equivocado quanto aos meus sentimentos para com ela. Da parte dela, tudo terminara quando lhe declarei meu amor, de anos a fio, por ela. Ela nada sentia por mim e o melhor era o exílio, bem longe dela.

Outras vezes nos cruzamos na rua, de longe. Ela fingiu que não me via. Desta vez, para minha surpresa, ela olhou para mim e sorriu. Aquele sorriso era a remissão de meu pecado em gostar muito dela. Já fazia alguns anos que não nos víamos cara a cara.

Talvez pela minha conduta em respeitar a vontade dela, talvez por ter nestes anos demonstrado por atitudes que eu a amava e respeitava muito, ela tenha me dado aquele sorriso lindo. Parei e começamos a conversar descontraidamente. Ela me convidou para entrar. Aceitei. Ela morava sozinha por muito tempo. A mãe falecera e ela, solteira, ficou na casa vazia.

Tinha ido algumas vezes à casa dela, como amigo. O máximo que conhecia da casa era a sala de visitas. Jauralane (tinha esse nome de batismo) era muito feminina, delicada, tímida, reservada. Jamais tivera namorados, a razão só ela conhece. Porque era encantadora como mulher. Sabe cativar a atenção sem exibicionismo, pois tudo nela exala simplicidade e elegância.

Ela aparentava agora uma acolhida calorosa de minha presença na sua casa. Bem diferente de anos atrás, quando uma ojeriza inexplicável pareceu tomar conta dela. Conversei com ela, sentado ao seu lado, no sofá da sala.

Num dado momento peguei a mão dela e a olhei bem no fundo dos olhos. Ela tremeu ao sentir minha mão apertar a dela, mas não recusou o carinho, para minha total surpresa. Deixou que apertasse sua mão mimosa entre os meus dedos. Falei-lhe de meu amor sem fim por ela. Desta vez ela não se insurgiu contra mim.

É como se quisesse dizer que acreditava no meu amor por ela, sem dizer uma única palavra. Aquilo fora como jogar mais gasolina no fogo de amor que ardia dentro de mim. Ela era muito tímida e introvertida. Razão porque resolvi fazer meu papel. Aproximei-me mais dela. Abracei-a delicadamente e a beijei no rosto. Ela aceitou, sem jeito.

Mas com tanto amor dentro de mim, avancei mais. Beijei-a na boca. Ah, que lábios de mel aquela virgem tinha! Embora sem experiência ela demonstrou estar gostando, o que me incentivou a acariciá-la e beijar outras vezes. Nem preciso dizer como fiquei.

Ela leu nos olhos tudo que eu sentia naquele momento. Aí ela me disse: “É a minha primeira vez. Seja delicado”. Não acreditava no que ouvia. Abracei bem forte, senti todo seu corpo junto ao meu. Fechei os olhos e em prece profunda pedi a Deus: “Senhor, devo estar sonhando. Por favor, não permita que eu acorde agora”.

Gilson Bertoni Videira