09 de julho de 2026
Nacional

Armando Nogueira morre aos 83

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Criador do “Jornal Nacional”, testemunha em 1954 do atentado ao político Carlos Lacerda (1914-1977), jornalista esportivo, escritor, cronista e piloto de ultraleve, Armando Nogueira, 83 anos, morreu ontem ao amanhecer em seu apartamento na zona sul carioca. Sofria de câncer cerebral havia três anos.

“Armando foi um companheiro maravilhoso, cativante e adorável. Ele mudou a linguagem do telejornalismo brasileiro com rigor fantástico na precisão da informação e na qualidade do texto. Ele nos deixa inspiração para o futuro”, declarou o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho.

Companheiro de Nogueira na emissora, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, definiu-o como “polivalente”. “O jornalismo moderno de televisão foi implantado com um trabalho de luta do Armando Nogueira, uma preocupação constante com o texto jornalístico. É a pessoa mais importante para o jornalismo na televisão”, disse Boni.

Acreano de Xapuri (a 200 km da capital Rio Branco), nasceu em 14 de janeiro de 1927. Foi para o Rio 17 anos depois. Formou-se em direito, mas preferiu trabalhar como jornalista.

Armando Nogueira trabalhou na Rede Globo entre 1966 e 1990, onde dirigiu a Central Globo de Jornalismo, sendo responsável final por coberturas criticadas como o chamado “escândalo da Proconsult” em 1982 (fraude na contagem de votos da eleição para o governo do Estado do Rio, com suposto acobertamento da emissora) e a cobertura restrita da campanha das Diretas em 84 (quando suas equipes foram orientadas a não veicular imagens abertas dos comícios para não dar dimensão da adesão popular ao movimento).

Embora tenha trabalhado em variadas áreas do jornalismo, Nogueira se notabilizou na cobertura esportiva. Cobriu 13 Copas do Mundo - a primeira, em 1954 - e seis Olimpíadas, a última em 2004.

Seu estilo de texto, no jornal e na televisão, buscava aproximação com a crônica e a poesia. Nogueira escreveu dez livros, a maioria sobre esportes, entre eles, “O Homem e a Bola”.

O velório ocorreu no estádio do Maracanã. O enterro será às 12h de hoje no cemitério São João Batista, em Botafogo. O jornalista deixa um filho, Armando Augusto Nogueira.