Os professores da rede estadual de ensino e delegados de polícia continuam em greve. E hoje, servidores estaduais da saúde se reunirão em São Paulo numa assembleia que pode também decidir pela paralisação da categoria (leia mais no texto abaixo). Com adesão parcial ao movimento, os educadores estão na quarta semana de paralisação. Como parte da greve, ontem a Apeoesp realizou, em todo o Estado de São Paulo, um movimento para doação de sangue por parte dos professores. Com o slogan “Antes que Serra sugue nosso sangue, vamos doá-lo a quem precisa”, professores compareceram ao Hemonúcleo de Bauru, com faixa, para fazer a doação.
Ontem a estimativa de Idenilde de Almeida Conceição, coordenadora da Apeopesp em Bauru, era de que a adesão chegava a cerca de 50% dos professores. Mas hoje a expectativa é que o índice aumente porque haverá nova assembleia em São Paulo, novamente no vão livre do Masp, da qual vão participar professores de Bauru e região. “De Bauru sairá um ônibus e uma van. A Udemo (entidade que representa os diretores de escola) também vai enviar um ônibus”, conta Idenilde.
Ela não soube informar o número de professores que doaram sangue durante todo o dia, mas pela manhã foram pelo menos 25. “E vamos continuar com esta campanha da doação de sangue amanhã (hoje) e quinta”, disse. Com o ato, os professores tentam pressionar o governador José Serra, que a partir de amanhã se afasta do cargo para concorrer às eleições para a presidência da República, a negociar com a categoria.
Os professores reivindicam 34% de reajuste salarial e mudança de uma série de procedimentos na rede estadual, entre elas a forma de atribuição de aulas - quer que o critério de tempo de serviço volte a ser adotado em detrimento da nota da prova.
Polícia Civil
Os delegados de polícia completaram ontem uma semana de greve e seguem realizando operação padrão, sistema pelo qual cada funcionário executa estritamente as funções de seu cargo. Como é comum o delegado e demais funcionários realizarem, além de suas obrigações, também tarefas de outras funções, a operação padrão está provocando lentidão nos serviços prestados nas delegacias.
Em Bauru, a média de boletins de ocorrência registrados no Plantão da Polícia Civil a cada turno de 12 horas - caiu drasticamente. Antes da operação padrão, a média era de 30 a 40 por plantão. Após a operação padrão começar, não tem chegado a cinco por plantão.
A presidente da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo, Marilda Pinheiro, confirmou que a redução de BOs registrados é reflexo da operação padrão. “Nós estamos mostrando aonde está a falha, em que condições estamos trabalhando. A polícia tem que ser reformulada”, afirma. Marilda. A categoria reivindica a reformulação na Polícia Civil. O argumento é que a mudança vai melhorar as condições de trabalho assim como o serviço prestado à população. Os delegados também aguardam, em assembleia permanente, uma resposta do governador do Estado.