Brasília - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, voltou a adiar para hoje a decisão sobre ficar ou sair do cargo para disputar as eleições de outubro. Com isso, a decisão pode sair no dia 1 de abril, popularmente conhecido como dia da mentira. “Não há nenhuma decisão tomada. Continuamos conversando, porque é uma decisão de muita responsabilidade”, afirmou.
Meirelles se reuniu anteontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir seu futuro político. À saída do encontro ele disse que Lula pediu que ficasse no BC. Meirelles respondeu que precisava de 24 horas para pensar.
Meirelles falou ontem a jornalistas durante cerimônia de comemoração aos 45 anos do Banco Central. Ele afirmou que interrompeu as negociações sobre seu futuro político para participar do evento, e logo depois deve retomar suas conversas. Antes da cerimônia, ele estava no CCBB, atual sede da Presidência da República. “Vamos aguardar. Não cabe antecipação. Eu avisarei se teremos condições de ter uma decisão ontem, ou se será só amanhã (hoje)”, disse. Meirelles afirmou ter “certeza” de que a decisão será tomada até amanhã.
O Banco Central divulgou mudanças ontem. Mário Mesquita deixa a diretoria de Política Econômica por motivos pessoais, segundo nota da instituição. Depois de trabalhar por três anos e nove meses no banco, ele deve se dedicar a novos projetos. O cargo será ocupado pelo atual diretor de Assuntos Internacionais, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo.
Luiz Awazu Pereira da Silva é o novo indicado para a área internacional. Silva é doutor em Economia pela Université de Paris-I Sorbonne e funcionário de carreira do Banco Mundial, além de ter atuado no Japan Bank for International Cooperation e no ministério das Finanças japonês. Ele também já teve cargos nos ministérios da Fazenda e do Planejamento.