10 de julho de 2026
Nacional

Serra se despede do cargo com críticas ao governo federal

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Passados 39 meses de silêncio tático, o governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência, José Serra (PSDB), lançou-se ontem num confronto ao governo Lula e sua candidata, a ministra Dilma Rousseff.

Em sua despedida do Palácio dos Bandeirantes, Serra transformou sua prestação de contas, justificativa oficial para o evento que reuniu 6 mil pessoas na sede do governo, no seu mais crítico discurso já feito ao governo federal. Apresentando-se pela primeira vez como candidato, usou termos duros ao pregar a “honra” como um princípio de seu governo.

“Aqui não se cultiva escândalos, malfeitos, roubalheira, mas também porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o mal feito”, afirmou, diante de uma plateia de 1.500 convidados, além de 4.500 pessoas que assistiam pelo telão.

Serra - que atravessou a madrugada para redação do discurso - contrapôs seu governo ao do PT. Ainda que sem fazer uma única menção ao presidente Lula e ao mensalão, disse que a relação de sua administração com a Assembleia Legislativa foi marcada pela transparência em favor do povo.

Dizendo que não administra segundo a coloração partidária, atacou: “A gente serve ao interesse público, não às máquinas partidárias. Governamos para o povo e não para partidos”.

Alvo de manifestações dos sindicatos, Serra deixou clara a disposição de imprimir no PT o rótulo de sectarismo: “Jamais incentivei o confronto gratuito. Jamais mobilizei falanges de ódio. (...) E nisso não vou mudar. Ainda que venha ser alvo dessas mesmas falanges”, disse, após afirmar que “nunca cedeu à frivolidade das bravatas”.

Usando a primeira pessoa do plural, Serra disse repudiar “a espetacularização, a busca da notícia fácil, o protagonismo sem substância que alimenta mitologias”.

O discurso também marcou a primeira grande explicitação, vinda do próprio Serra, de que ele é o candidato do PSDB à sucessão de Lula.

“Olhando para trás e vendo tudo o que fizemos, sinto ganhar bastante força para esta etapa seguinte, a etapa que nos espera. Vou ingressar nela, vou ingressar nessa etapa com muita disposição, com muita força, com muita confiança, muita fé, muita sinceridade e muito trabalho”, disse, seguido de aplausos da plateia.

O governador encerrou seu discurso citando a frase presente no brasão do Estado de São Paulo (“Pelo Brasil, façam-se as grandes coisas”) e com um lema que deve nortear seus discursos de candidato: “Vamos juntos, o Brasil pode mais!”.