A guerra de preços entre postos de combustíveis de Bauru, associada ao início da safra da cana-de-açúcar, não poderia ser mais bem-vinda para os proprietários de carros flex. Nesta semana, o litro do álcool em vários postos de combustíveis da cidade caiu para R$ 1,19, o valor mais baixo do ano.
Em janeiro, o litro do produto chegou a custar R$ 1,89 e, após uma série de reajustes, passou a ser comercializado a R$ 1,55, na primeira semana de março. Em menos de 30 dias, os preços foram derrubados em 23%.
De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), José Antônio Reghine, a guerra da concorrência entre os postos de combustíveis fez com que a margem de lucro dos empresários do ramo chegasse a níveis baixíssimos. Atualmente, eles pagam às distribuidoras entre R$ 1,10 e R$ 1,14 pelo litro do álcool e, mesmo assim, não verificaram aumento no volume de vendas.
“Nas companhias, não houve redução de preço, então estamos vendendo o produto praticamente a preço de custo. Isso é algo que ocorre há muito tempo em Bauru: alguns postos colocam o preço lá embaixo e forçam os demais estabelecimentos a vender pelo mesmo valor”, explica, salientando que, em cidades vizinhas, o preço do álcool está longe do patamar observado em Bauru. Em levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o etanol era comercializado na semana passada ao preço mínimo de R$ 1,23 em Ibitinga, R$ 1,39 em Jaú e R$ 1,57 em Marília.
E, como em Bauru o álcool já estava mais vantajoso em relação à gasolina mesmo antes desta última redução, o preço mais baixo não deverá representar aumento no movimento de clientes dentro dos postos, conforme aponta Reghine. “Seria bom para o proprietário se ele praticasse esse preço sozinho. Mas como todos estão vendendo nesse valor tão reduzido, a venda em litros não aumenta e o lucro total, diminui”, pondera.
Ameaça
Como efeito, segundo o presidente do Sincopetro, os estabelecimentos já estão enfrentando problemas no fluxo de caixa e vendo o futuro de seu negócio ameaçado. E, como o mercado é livre, não há nenhuma medida que possa ser tomada para estabelecer um preço mínimo para a venda do combustível.
“Isso (guerra de preços) não tem prazo para acabar, infelizmente”, aponta ele, explicando que os preços baixos vem sendo praticados não apenas por estabelecimentos de “bandeira branca”, mas também por representantes de marcas específicas (como Shell, Ipiranga, Esso, etc). “Como é uma situação generalizada, não há como dizer que há motivos para suspeitar da qualidade do produto que está sendo comercializado”, completa.
A expectativa do Sincopetro, no entanto, é que preço suba novamente a partir da semana que vem. O presidente do sindicato, porém, não informou os motivos nem os valores do provável reajuste.
Além da concorrência acirrada entre os postos, o início da moagem da cana-de-açúcar pelas grandes usinas delineia um cenário ainda mais favorável para os consumidores.
Com mais etanol disponível no mercado, seu preço tende a se manter em níveis reduzidos pelo menos até novembro, quando o ciclo se encerra. Para se ter uma ideia do quanto o álcool se tornou mais vantajoso para os proprietários de veículos bicombustíveis, basta dividir o preço cobrado pelo litro do produto pelo preço da gasolina.
Se o resultado for maior que 0,7, o dono de carro flex deve optar pelo segundo combustível. Se for inferior, é melhor ficar com o primeiro. Em Bauru, o resultado deste cálculo chegou a 0,5, e quem quiser fazer economia deve encher o tanque com etanol.