Os cristãos relembram hoje, Sexta-feira Santa, ou Sexta-feira da Paixão, a crucifixação, morte e sepultamento de Jesus Cristo através de diversos ritos religiosos. Segundo a tradição cristã, a ressurreição de Cristo aconteceu no terceiro dia após a morte, ou seja, no domingo de Páscoa. Em respeito à morte de Cristo, hoje é feriado e o único dia do ano que a Igreja Católica não celebra missa. Porém, todas as igrejas fazem adoração ao Santíssimo e, por volta das 15h, horário que Jesus Cristo teria morrido, celebram a Paixão e fazem adoração da cruz.
Geralmente no início da noite, há procissão de Nosso Senhor Morto. A Paróquia Universitária do Sagrado Coração, localizada no Jardim Panorama, em Bauru, por exemplo, realiza a tradicional procissão luminosa, com o andor que leva a imagem de Nossa Senhora Rainha da Paz, que possui mais de um metro e meio de comprimento.
Com velas, os fiéis caminham pelas ruas próximas ao Santuário do Sagrado Coração de Jesus, passando pela Praça da Paz e retornando à paróquia. Durante o trajeto, os participantes fazem orações pedindo a paz no mundo, em especial pelas famílias vítimas dos terremotos e também rezam o terço, pedindo a intercessão da santa.
Para o reitor do santuário, padre Enedir Gonçalves Moreira, a paz é conseqüência de justiça e de amor. “Todos os cristãos e os homens e mulheres de boa-vontade devem levar ao mundo essa mensagem da paz. A questão de uma justiça que nos provoque e nos chame a uma conversão de vida”, diz. A procissão tem início às 19h, saindo de frente do santuário.
A Paróquia de Santa Terezinha do Menino Jesus, que fica no Centro de Bauru, por sua vez, terá encenação da Paixão de Cristo às 15h, no salão principal do templo. A encenação será feita pelo Grupo Caminhada, formado por cerca de 40 pessoas, que está retomando as atividades. Às 19h o grupo faz a segunda apresentação do dia na Igreja de Santo Expedito, localizada no Núcleo Isaura Pitta Garmes.
Além do realismo empregado nas cenas, o grupo Caminhada procura interagir com a comunidade, convidando o público a integrar a encenação. Já a Paróquia Santa Luzia, localizada no bairro de mesmo nome, convida os fiéis a levarem de casa as cruzes de parede e de uso pessoal para a celebração das 15h. No final da cerimônia as cruzes serão abençoadas.
Em seguida haverá veneração da cruz e, no início da noite, a procissão do encontro: os homens saem em procissão, às 19h30, da Comunidade de Nossa Senhora Aparecida enquanto às mulheres, no mesmo horário, saem da Capela Santa Maria Goretti. Os dois grupos se encontram na rua Bauru, a uma quadra da Igreja de Santa Luzia. Todos entram no templo para a celebração.
A Paróquia de São José Trabalhador, que fica na Vila Industrial, também tem programação especial. Durante todo o dia o Santíssimo fica exposto no salão ao lado da igreja para vigília dos fiéis, que se revezam de hora em hora. Às 15h haverá a celebração que relembra a morte de Jesus na cruz e a veneração da cruz como processo de salvação.
Na cruz apresentada pela igreja, os fiéis escrevem seus nomes, explica o padre Milton Carrashi, páraco da São José Trabalhador. “Cada um põe sua marca na cruz e, assim, firma um compromisso com Cristo. Depois, sairemos em procissão pelas ruas do bairro levando a cruz, sempre fazendo um percurso de extensão semelhante ao feito por Jesus Cristo na via-sacra”, comenta, frisando que a percurso da procissão terá 1,8 mil metros.
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Missa do lava-pés tem cordeiro assado e pães
A celebração da missa da instituição da eucaristia e do lava-pés na Paróquia São José Trabalhador, que fica na Vila Industrial, é diferente da maioria das igrejas católicas de Bauru. Além do altar convencional do templo, onde o padre celebra a missa ladeado por 12 fiéis que representam os apóstolos de Jesus, a quem ele lava os pés, no centro da igreja foi montada uma grande mesa em memória da Páscoa judaica.
Na mesa foram dispostos um cordeiro assado, de pouco mais de 10 quilos, muitos pães, ervas amargas e vinho, alimentos que faziam parte da Páscoa judaica, explica o padre Milton Carrashi, páraco da São José Trabalhador. “A festa da Páscoa cristã é “filha” da Páscoa judaica, que era a religião de Jesus. Então, estamos relembrando como era a Páscoa de Jesus”, frisa.
Ao final da missa dos lava-pés e da instituição da eucaristia, os fiéis presentes são convidados a participar da ceia: o cordeiro assado é dividido em pedaços pequenos e distribuído aos presentes, assim como os pães, para serem consumidos num salão ao lado do templo.