Ao passar por diferentes postos de combustíveis, os consumidores podem estranhar as diferenças nos preços da gasolina (tanto a comum quanto a aditivada). Em Bauru, a variação de um estabelecimento para outro pode chegar a R$ 0,20.
A razão para essa diferença de preços pode estar na forma como a gasolina é produzida. Com a queda no valor do barril do petróleo (hoje cotado a menos de US$ 80), tornou-se mais barato fabricar o combustível por meio de um processo denominado “formulação”.
Nesse método, a gasolina é obtida a partir do refino de resíduos sólidos do petróleo, enquanto no tradicional (o mais adotado pelas refinarias brasileiras), o combustível é fabricado por meio da destilação de componentes líquidos.
Quando o petróleo está em baixa no mercado internacional, o processo de formulação torna-se mais barato que o tradicional, fazendo com que o preço final do combustível caia. “A crise do ano passado afetou bastante o valor do barril. Por isso anda vantajoso fabricar e vender gasolina formulada”, afirma o presidente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), José Reghine.
A reportagem apurou que a gasolina formulada vem sendo comercializada em Bauru há pelo menos um ano, na maioria das vezes, em postos de “bandeira branca” (aqueles que não estão vinculados a uma distribuidora específica).
Reghine lembra que, caso o valor do barril de petróleo se recupere, a tendência é que o preço da gasolina formulada deixe de ser atrativo. Isso não significa que os consumidores serão prejudicados.
“A gasolina tradicional já está bastante cara. Acho muito difícil que o preço suba ainda mais”, pensa. Atualmente, uma única empresa - a Companhia Paulista de Petróleo (Copape), pertencente ao grupo Aster - tem autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para produzir gasolina A e premium a partir do processo de formulação.
Em nota enviada ao Jornal da Cidade, a agência reguladora frisa que, independentemente do método de produção, “o importante é que a gasolina esteja de acordo com as especificações. “Se estiver (de acordo com as normas), é considerada boa; se não estiver, quem comercializá-la ou distribui-la estará sujeito a interdição e multa”, afirma o texto.