Bariri - O prefeito de Bariri, Benedito Senafonde Mazotti (PSDB) e o presidente da Câmara, Clóvis Bueno (DEM), retornam aos cargos na próxima segunda-feira. Ontem encerrou a instrução processual da ação civil pública que apura o desvio de medicamentos na prefeitura no período eleitoral de 2008.
Trinta e uma testemunhas foram ouvidas ontem pelo juiz Luiz Gustavo de Oliveira entre às 10h e 18h30 no Fórum de Bariri. O Ministério Público desistiu de ouvir o depoimento pessoal dos réus.
O advogado Ricardo Nunes Costa, defensor do prefeito, informou ontem à noite que Mazotti já pode retornar ao cargo. O prefeito, Bueno, o ex-diretor de Saúde Claudocir Maccorin e Rosa Maria Canal foram afastados de suas funções pela 5.ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ) em 1 de março até o encerramento da instrução processual. Eles são acusados de pressionar testemunha na fase de apuração do caso.
Os quatro são acusados em ação civil pública de envolvimento no suposto desvio de medicamentos do posto de saúde na campanha eleitoral de 2008. Maccorin e a funcionária Rosa Maria Canal se demitiram dos cargos.
O vice-prefeito Rubens Pereira do Santos (PTB) ocupava o cargo de prefeito até ontem e a presidência da Câmara vinha sendo ocupada pelo vereador Sidnei Dourival Fanti (PTB) no lugar de Bueno.
O caso estourou em fevereiro do ano passado, quando a Polícia Civil apreendeu várias cartelas de comprimidos, além de cerca de 60 caixas de medicamentos diversos, grampeados com receituários em nome de várias pessoas, na garagem da oficina mecânica de propriedade do presidente do legislativo. Depois disso, o Ministério Público apontou o envolvimento do prefeito e do vereador.
Segundo o inquérito, na campanha eleitoral o presidente da Câmara oferecia-se à população para obter remédios com rapidez e agilizar procedimentos normalmente demorados. Para o MP, a conduta é mais grave do que a chamada “compra de votos” pelo fato do esquema ser feito com dinheiro público e envolver uma área tão delicada quanto à saúde.
Costa disse que o prefeito deve ficar no cargo até o final do julgamento das ações. Mazzotti nega envolvimento, enquanto Bueno se recusa a dar entrevista sobre o caso. A ação tem prosseguimento até o julgamento final pela Justiça de Bariri. Ontem à noite populares estouraram rojões após o término da audiência.