08 de julho de 2026
Geral

Serviço tenta derrubar resistências

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

As principais funerárias de Bauru oferecem a necromaquiagem aos seus clientes, mas elas revelam que a procura tem sido pequena. O trabalho, normalmente, é feito por agentes funerários devidamente treinados para isso. Ainda não há a presença de maquiadores profissionais nesse ramo.

A Funerária Terra Branca conta com seis agentes maquiadores. Um deles é o próprio gerente, José Gilberto Batista, que faz o serviço desde 1997. Segundo ele, apesar de ainda tímida, a procura pela necromaquiagem tem aumentado.

Não é uma maquiagem de quem vai a uma festa. Tem de ser algo discreto, mais próximo possível da aparência normal da pessoa quando estava viva”, diz. Segundo ele, o serviço faz parte do plano funerário, mas sempre consultam a família antes para saber se podem realizá-lo.

O mesmo ocorre na Funerária Reunidas. Apesar da opção também fazer parte do plano, o gerente, Alessandro Rodrigues, afirma que apenas 10% dos clientes, aproximadamente, aceitam o serviço.

Ele conta que recentemente teve problemas com isso. Durante um velório, uma das filhas da mulher morta reclamou da maquiagem e pediu para tirar. A filha era evangélica e não gostou da iniciativa. Mas a maquiagem havia sido pedida pela outra filha, católica, que alegou que a mãe gostava de se maquiar quando viva. E ordenou que a mãe fosse novamente maquiada. E a briga entre as irmãs seguiu até o enterro da mãe, que foi enterrada maquiada.

Segundo Alessandro, a necromaquiagem somente é cobrada quando a família quer que o serviço seja feito por um profissional especializado. Nesse caso, o valor varia de R$ 100,00 a R$ 250,00.

A Funerária São Vicente passou a oferecer o serviço a partir de 2005. Durou apenas um ano. “As famílias não aceitaram muito bem”, revela o gerente administrativo, Marco Antonio Godoi.

Por conta desse descontentamento, a empresa passou a trabalhar apenas com a restauração quando o rosto do morto está muito machucado. “Neste caso, a família não reclama”, conta.

Godoi diz que só faz a maquiagem quando a família pede e nada é cobrado por isso. Segundo ele, em 11 anos de profissão, já está acostumado com o serviço e não vê nada de sobrenatural e assustador nesse ramo.