08 de julho de 2026
Geral

Seguranças formam rede paralela

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Os marginais se organizam e nós também. Não mostramos as ‘armas’ porque queremos usar o efeito surpresa, como eles fazem com a gente”, confessa uma moradora da zona sul que sofreu um assalto recentemente. Para ela, a tal ‘insegurança’ vai ser superada porque a população não aguenta mais e está se unindo com o mesmo objetivo. “Adotamos várias estratégias.”

Entre os moradores, há uma rede de comunicação para indicar a presença de algum estranho na rua durante a madrugada. O mesmo método é adotado pelos ‘seguranças’, que ficam nas ruas mas não se sentem só, porque sabem que muito perto dali estão outros colegas que podem ajudá-los numa situação de emergência.

A teia da segurança funciona da seguinte maneira: todos aqueles que trabalham num raio de 500 metros possuem um aparelho celular. O número fica com os colegas. Numa emergência, ele aciona o contratado que está na outra rua, por exemplo.

Menos emergencial, mas igualmente importante, um avisa o outro quando um veículo suspeito transita pelo bairro. “Ou quando pessoas suspeitas estão na área”, comenta um deles.

O suspeito nem sempre é do sexo masculino, segundo um vigilante. “Já tivemos casos de moças que começam a passear no bairro. A gente sabe que é uma olheira. Passa por aqui para ver como está o ‘pedaço’. Se tiver vigilante, cães e outras dificuldades para entrar nos imóveis, eles desistem.”

A simples presença do segurança, na opinião deles, já é um empecilho para a ação dos marginais. “Eles não sabem se estamos armados, o que temos em mãos para a defesa. A maioria dos bandidos conta com o fator surpresa, que fica comprometido com a nossa presença.”

O indulto dos presos, que coloca nas ruas milhares de detentos com direito às famosas ‘saidinhas’, é um período que exige atenção redobrada da vigilância. “Temos que ficar alertas, aparecem muitos estranhos no bairro”, afirma.

Na rede de comunicação, a busca da garantia de segurança também produz soluções caseiras adotadas recentemente por bauruenses, como o o uso de apito e bombas juninas para revelar a presença de estranhos na rua ou mesmo na casa.

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Código entre a família

O medo da violência está tão disseminado que uma família de Bauru decidiu criar seus próprios códigos. Entre eles, uma palavra ou um sinal pode ter um determinado significado, geralmente o ‘start’ de que algo está fora do normal e que providências devem ser tomadas. “Meu marido viaja e tememos que ele possa ser sequestrado. Então, decidimos que se ele falar tal coisa, temos que acionar a polícia.”

O mesmo código é usado pelos filhos do casal para avisar o mesmo crime. Mas, se a situação for outra, o código também muda.

Outra providência tomada pela vítima, um item ‘caseiro’ adotado depois do susto, foi o cadastro de amigos, as pessoas de sua confiança e até aquelas que devem ser acionadas em caso de ‘perigo’. “Tenho o telefone de um taxista que serve a família, dos amigos, do tenente da PM, do capitão que comanda a região que eu moro”, relata a moradora.

O morador conta que, depois dos sustos que passou em um assalto, ampliou a agenda telefônica para se sentir mais segura. “Eu vim de Piracicaba e moro em Bauru há 18 anos. Me sinto segura com essa providência”, garante.