10 de julho de 2026
Geral

Prevenção exige investimentos e o morador vive reality show em casa

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O dinheiro e o poder são itens de atração para os ladrões. As vítimas já perceberam e se previnem como podem. Os carrões foram substituídos por veículos populares para buscar filhos nas escolas e andar durante a madrugada. Joias, só para ocasiões muito especiais.

O kit segurança, composto por rastreamento de veículo, GPS, câmeras de monitoramento, celulares e alarmes de pânico individuais, faz com que a vida privada se torne um reality show. A pessoa passa a ser ‘vigiada’ 24 horas/dia.

Uma moradora de um condomínio fechado de Bauru confessa que a casa toda está vigiada por câmera. “Já enfrentei quatro assaltos e não descuido da segurança”, afirma. Outra providência dela com relação à segurança é trocar de carro. “Temos que trocar de carro sempre, mesmo que seja por um usado. Não compramos mais carros que não sejam preto ou prata. Uma vez comprei um vermelho, aquele que eu me apaixonei. Tive que vender em 10 meses.”

Os filhos dela, com 17 e 11 anos, já se acostumaram à rotina ‘vigiada’. “As escolas que eles frequentam foram avisadas que somente eu e meu marido podemos ir buscá-los. Não são todos os barzinhos que eles podem ir. Andam de celular para comunicar alterações na programação. Retornam acompanhados dos pais. Fazemos um rodízio entre nós. Eu temo o sequestro, agressão e até um estupro.”

A casa, construída da maneira que o casal escolheu, não pode ser para a vida toda. “Uma denúncia anônima à Polícia Militar comunicou que seríamos vítimas de assalto. O crime não chegou a se concretizar, mas optamos por alugar a casa e mudar. A partir de então moramos no máximo cinco anos em um determinado endereço.”

Outra moradora de condomínio toma várias providências no que tange à segurança da casa. “Nenhum entregador entra para a parte interna. O jardineiro e o cuidador da piscina são os mesmos há anos e chegaram na casa por indicação”, relata.

Mas o medo não atinge a todos. Desencanado com a violência urbana, um empresário de Bauru que teve seu nome listado por uma quadrilha para ser sequestrado vive normalmente. “Não tomei nenhuma providência depois que fiquei sabendo, através da polícia, que meu nome estava na lista dos sequestradores presos. Ando normalmente pela cidade, participo de festas.”