10 de julho de 2026
Nacional

Fissura em rocha foi o que provocou o deslizamento no morro do Bumba


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Rio de Janeiro - Duas fissuras na rocha, no alto do morro do Bumba, serviram de “gatilho’’ para o grande deslizamento de terra que soterrou centenas de pessoas. A conclusão é de estudo de geógrafos da PUC-Rio, feito a pedido do DRM (Departamento de Recursos Minerais do Rio).

Os pesquisadores trabalharam no local durante todo o dia de sexta-feira e, ao contrário do que se imaginava inicialmente, a causa do deslizamento não foi uma explosão de gás metano, acumulado no local onde funcionava um antigo lixão.

Segundo os geógrafos, o excesso de lixo e a presença do gás agravaram a tragédia, mas não foram o estopim. O número de mortos, porém, seria menor não fossem esses dois fatores.

“O movimento detonador se deu a partir da encosta, na cabeceira do morro’’, disse Marcelo Motta, geógrafo da PUC que participou dos trabalhos.

De acordo com ele, “duas cicatrizes’’ analisadas mostram que o deslizamento começou no alto e “empurrou’’ a massa de lixo que estava embaixo.

Na avaliação de Motta, porém, tamanho desastre poderia ser evitado, se as casas não tivessem sido erguidas sobre o lixão: “Seria uma catástrofe de outras proporções.’’

Segundo o geógrafo, as chuvas dos últimos dias acionaram “vários gatilhos’’ semelhantes ao que deu início ao deslizamento no morro do Bumba em outros pontos do maciço de Niterói e São Gonçalo.

Por isso, os técnicos vão começar a vistoriar localidades da região em busca de possíveis fragilidades do solo que possam causar novos deslizamentos.

Até as 13h de ontem, 30 corpos tinham sido resgatados do morro do Bumba. Em todo o Estado do Rio, foram contabilizados 216 mortos, sendo 135 em Niterói, 61 na capital, e 16 em São Gonçalo; Magé, Nilópolis, Paulo de Frontin e Petrópolis registraram uma morte em cada cidade.

O policiamento no entorno do morro do Bumba foi reforçado por 60 homens do Bope. Eles fizeram uma incursão para checar a informação de moradores de que ocorreram saques em casas interditadas.

Policiais do Batalhão de Choque e do 12º BPM (Batalhão de Polícia Militar), de Niterói, auxiliaram a operação, realizada na manhã de ontem. Até a conclusão desta edição, ninguém havia sido preso.

O subprocurador de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual, Leonardo Chaves, inspecionou a operação de resgate das vítimas do morro do Bumba. Chaves disse que veio observar o trabalho de resgate e saber qual destino será dado aos desabrigados.

O aposentado disse ainda ter cerca de 20 parentes sob os escombros. Sua filha, a autônoma Gilsinete Oliveira, 45, afirmou que sua família foi “destruída’’. Contou que a “sorte ajudou na sobrevivência do pai’’, que já teve dois AVC’s e se locomove com dificuldades. “É muito difícil viver a vida toda num local e ver tudo se acabar com o lixo.”

Segunda serão montados dois hospitais de campanha das Forças Armadas para atender sobreviventes em São Gonçalo. A participação das Forças Armadas com a instalação de hospitais de emergência em áreas de crise é rotina, como ocorreu com a epidemia de dengue no ano passado. Homens do Exército, Marinha e Aeronáutica podem auxiliar no resgate em meio aos escombros de deslizamentos, conforme pedido do governador Sérgio Cabral.