09 de julho de 2026
Bairros

Espelho d’água é xodó dos frequentadores

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Basta ficar poucos minutos admirando a beleza do Parque Vitória Régia para descobrir qual a principal atração do local aos olhos de crianças, jovens e adultos. Disputando a atenção dos visitantes com árvores, brinquedos e com o anfiteatro, o espelho d’água existente no parque se sobressai e ganha relevância perante seus frequentadores.

Durante todo o dia é possível encontrar pessoas com pedaços de pães, alimentando os felizardos peixes que vivem no local. Sendo assim, uma dieta balanceada é algo fora de cogitação para os bichos, que comem várias vezes por hora e estão cada vez maiores e mais gordos.

Na penúltima quinta-feira, véspera de feriado, era o pequeno Arthur Henrique Capela Batista Moraes, 4 anos, e seu pai, Antônio Henrique Batista Moraes, 52 anos, que faziam a alegria dos peixes do lago do Vitória Régia.

Antônio aproveitou seu dia de folga para trazer o filho para passear no parque, e não teve dúvidas ao levar com ele migalhas de pão para dar aos peixes. “Olha, pai! Que grandão aquele!”, vibrava Arthur com a agitação causada pelos animais, que travavam uma disputa pelo alimento sob a água.

Mas, justamente por ser o destaque do parque, o lago, formado pelo represamento das nascentes do ribeirão das Flores, é motivo de grande preocupação por parte de seus frequentadores. É que desde que o complexo foi criado, o espelho d’água nunca passou por uma manutenção e já apresenta sérios problemas de assoreamento. Os mais notáveis são a redução na profundidade e os arbustos que se apropriaram do espaço aquático.

Todos os entrevistados pela reportagem do Jornal da Cidade apontaram o desassoreamento do lago como uma das prioridade a serem efetuadas no parque, à frente até mesmo de questões como a segurança do local. Um deles é Benedito Pereira, morador das redondezas do parque e que já chegou a plantar árvores às margens do lago para amenizar a situação.

“Me preocupo muito com isso, é como se fosse o quintal da minha casa. Em dias de calor, muitas crianças aproveitam as águas para se refrescar, e, mesmo sem intenção, acabam estragando a estrutura do local e complicando ainda mais a situação. Há sete anos venho diariamente aqui, gosto muito deste lugar. Já cheguei a carpir e plantar árvores nas margens para conter o assoreamento”, conta Benedito.

Para o arquiteto Nilson Ghirardello, professor do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo e vice-diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a preocupação com as condições em que se encontra o lago se justifica.

“Este é o único lago da cidade e a população reconhece isto. Outra coisa que agrega relevância ao espelho d’água é que ele justifica o nome dado ao parque. Sem ele seria impossível assimilar o palco do anfiteatro a uma grande vitória-régia boiando sobre as águas”, analisa.

Desassoreamento

De acordo com o Valcirlei Gonçalves da Silva, secretário municipal do Meio Ambiente, o desassoreamento do lago será a primeira grande obra a ser realizada no parque, e deverá ser concluída ainda este ano.

“O lago nunca recebeu manutenção e está mais do que na hora disto acontecer. De fato o espelho d’água é um dos grandes atrativos do parque. Por isto, em parceria com o Departamento de Água e Esgoto (DAE), faremos o desassoreamento ainda este ano”, promete Valcirlei.

Ele explica que o trabalho não será tão simples quanto parece e levará algum tempo para ser concluído. Segundo o secretário, para a execução da obra será necessária muita cautela, pois, se aprofundar demais o leito, as estacas de madeira que cercam o lago e servem como uma espécie de muro de arrimo podem tombar e provocar desmoronamentos, comprometendo a estrutura já existente.

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Parque impressiona visitantes

Até mesmo os visitantes vindos da região Sul do País, famosa pelos projetos paisagísticos de suas cidades, se impressionam com a beleza e imponência do Parque Vitória Régia, localizado no coração de Bauru, ao lado de uma das avenidas mais movimentadas da cidade, a Nações Unidas.

Este é o caso de Fátima Franceschi, 40 anos, e seu filho Gilberto Moreira dos Santos Junior, 11 anos. Há 11 eles vêm de Londrina (PR) para fazer tratamento no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - HRAC/USP (Centrinho) e se encantam com a beleza do parque, localizado alguns metros abaixo da unidade hospitalar.

“Esta é a primeira vez que tivemos tempo de passear por aqui, mas o parque sempre nos chamou a atenção. Fiquei impressionada com a quantidade de peixes que há no lago”, admira Fátima.

Já o anfiteatro do parque foi o que mais aguçou a curiosidade do pequeno Gilberto, que ficou impressionado com o eco causado pelas palavras pronunciadas no palco que lembra a flor.

Quem também gostou bastante do monumento foi Lucas Vinícius Camargo Leite da Silva, 11 anos, que mora em Avaré e visitava o local pela segunda vez acompanhado da prima Amanda de Camargo Vaz Batista, 23 anos, e de sua filha Camile Ananda Vaz Batista, 5 anos.

“Todas as vezes que venho para a cidade peço para minha prima me trazer aqui, mas dificilmente dá certo. O que eu mais gosto é o palco do anfiteatro. É muito grande. Em Avaré só tem o Horto Florestal, mas atualmente não é permitida a visita, além de que é bem diferente daqui”, compara o menino.

No caso da família Martins, moradora de Ribeirão Preto, a pequena Heloísa, 5 anos e seu irmão Lucas, 2 anos, foram os responsáveis pela visita ao local. Há 4 anos, Heloísa faz tratamento no Centrinho e todas as vezes que visita Bauru pede ao pai que pare no palyground do Parque Vitória Régia para que ela possa brincar. Desta vez ele não resistiu aos pedidos da filha.

“Hoje (dia 1), o tempo colaborou e pude atender a vontade dela. Sempre passamos por aqui e o local chama bastante a atenção, mas nem sempre é possível parar. Gostei bastante daqui e pretendo inclui-lo em nossa rota”, afirma Wagner Martins Junior, pai das crianças.