07 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• Gravação no DAE

A decisão do DAE de passar a fazer gravações da sua linha de atendimento ao usuário, o 0800, pode se transformar em uma boa ferramenta de aperfeiçoamento. A medida surgiu, registre-se, a partir de um trabalho de reportagem do JC que, em janeiro passado, avaliou deficiências nas relações com os consumidores e mesmo entre os departamentos internos.

• O caso do Jaraguá

Um dos casos emblemáticos que levou o DAE a passar a gravar as conversas no atendimento que o servidor de plantão faz junto aos munícipes é de um morador da quadra 7 da rua Ayrton Busch, no Parque Jaraguá. Em janeiro passado, ele ligou por volta das 14h09 para a central e anunciou que vazamento na rua estava gerando rachaduras em sua casa.

• Sem atendimento

Mas o bauruense só foi atendido pelo DAE por volta das 22h15 de um domingo chuvoso. Isso depois de a reportagem do JC intervir junto ao presidente da autarquia, Rafael Ribeiro, para demonstrar a possibilidade de danos maiores à residência do morador. Na ocasião, a viatura que deveria fazer a triagem da solicitação permaneceu estacionada a tarde toda no pátio, sem explicações. Uma sindicância foi aberta para apurar o fato à época.

• Dívida da Cohab

A emenda que o prefeito entrega hoje na Câmara, para ser incluída no projeto de lei que busca autorização para que a prefeitura compre títulos do trabalhador, para utilizá-los no pagamento de parte da dívida da Cohab, não resolve os problemas da autarquia. Mas, com a faca no pescoço, a autorização para estancar parte da dívida de R$ 400 milhões pode ser a única saída, neste momento. Até porque não há outra proposta concreta e robusta.

• Extinção em 15 anos

A emenda que prevê extinção gradual da Cohab, à medida da eliminação de seus créditos, pode ser apenas a formalização, para alguns, de que a companhia, em 15 anos, deixará de atuar no mercado. Mas, na essência, o texto prevê que o estatuto da companhia tem de mudar, com seu papel deixando de ser o de construir casas para o de recuperação de créditos. Isso já é um alento, para evitar novas aventuras para o futuro.

• Estancando a dívida

Mas há que se ressaltar que a autorização para que a prefeitura compre títulos federais está sendo solicitada no projeto de forma abrangente. Não custaria nada, caso os vereadores optem pela aprovação do texto, deixar bem claro (com uma emendinha) que o financiamento só pode ser realizado para aquilo que foi apresentado pelo atual governo, o que inclui a dívida em execução e a vencida a ser executada. Senão, é dar cheque em branco também para o sucessor de Rodrigo, o que é temerário.

• O fato grave e seu peso

Faltou transparência e responsabilidade na dose certa pelo Executivo na discussão da dívida da Cohab. Algumas dezenas desses milhões que estão sendo executados agora são de contratos que terminaram no final de 2008 e 2009. Mas o jovem prefeito Rodrigo não tratou o fato com o tamanho e a consequência que ele exigia. A Cohab vai resolver apenas parte da dívida. Pelo menos R$ 290 milhões vão continuar sem solução. É bom frisar!