10 de julho de 2026
Nacional

Começa o recadastramento das famílias desabrigadas do morro do céu no Rio


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Rio de Janeiro - Técnicos do Instituto do Meio Ambiente (Inea) começaram o cadastramento das famílias que moram nos arredores do lixão do Morro do Céu, em Niterói (Região Metropolitana do Rio), que vive situação semelhante ao Moro do Bumba, onde até 150 pessoas podem ter sido soterradas em um deslizamento na quarta-feira. A Prefeitura de Niterói anunciou que 87 casas serão desapropriadas. No entanto, os moradores estão preocupados com os valores das indenizações. Até ontem o número de mortos pelo desastre era de 229 pessoas.

“Eles deveriam ter indenizado as famílias três anos atrás quando embargaram a realização de qualquer obra na minha casa. Um vizinho recebeu há pouco tempo R$ 80 mil. Não acho justo”, reclamou o vigia noturno Manoel Barros da Silva Filho, de 50 anos, que mora há 30 anos no local. Alguns moradores que saíram por conta da ameaça de deslizamento já retornaram às casas. “O barranco deslizou na segunda-feira passada atrás da minha casa”, disse Maria das Graças Falcão, de 62 anos.

Ao contrário do que divulgou a Prefeitura de Niterói, que garantiu que o chorume do lixão é captado e conduzido até uma estação de tratamento, os moradores disseram que sempre foram orientados por técnicos da Prefeitura a não consumir a água e as frutas do local. “Está tudo contaminado. Tem dias em que não aguento o fedor”, disse Manoel.

No Morro do Bumba, o trabalho de resgate dos mortos e a saída dos demais moradores das casas continua.

Nos acessos ao morro, o movimento de mudança dos moradores era intenso. Cassiane Rosa de Andrade, de 19 anos, e a irmã dela Glauce Rosa de Andrade, de 16 anos, grávida de nove meses, estavam com os pertences em trouxas preparadas para mudança. “Perdemos quatro primos e quatro sobrinhos. Consegui saí com minha filha de dois anos na hora do deslizamento e sobrevivi, mas não tenho qualquer perspectiva sobre o futuro. Todos os meus sete irmãos vão morar com a minha mãe em outra comunidade”, lamentou Cassiane.