Varsóvia - Especialistas russos descartaram ontem que o acidente aéreo ocorrido anteontem com o avião presidencial polonês tenha sido provocado por uma pane técnica. O acidente matou o presidente da Polônia, Lech Kaczynski, e diversos funcionários do alto escalão do governo.
Um primeiro estudo dos diálogos entre a tripulação do avião e a torre de controle “confirma que não houve problemas técnicos”, segundo informou o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.
Especialistas abriram ontem as duas caixas-pretas do Tupolev-154, uma com gravações das últimas conversas mantidas entre os pilotos e os operadores da torre de controle, e outra com os parâmetros de voo. Elas foram levadas ao laboratório do Comitê de Aviação Interestatal.
Funeral
O avião que levava o corpo do presidente polonês aterrissou ontem no aeroporto militar de Varsóvia, por volta das 10h. A filha do presidente morto e seu irmão gêmeo, Jaroslaw Kaczynski, outros membros da família, autoridades polonesas e o presidente do Parlamento europeu, Jerzy Buzek, participaram, no aeroporto, de uma cerimônia oficial.
Em seguida, o cortejo fúnebre se dirigiu ao palácio presidencial, no centro histórico de Varsóvia. Milhares de poloneses se aglomeravam ao longo do percurso para prestar a seu presidente morto uma última homenagem.
O primeiro-ministro russo Vladimir Putin liberou o caixão de Kaczynski em uma breve cerimônia em Smolensk. Milhões de pessoas da nação católica lotaram as igrejas para orar por Kaczynski. Milhares ocuparam a área defronte o palácio presidencial em Varsóvia, transformada em um santuário adornado com flores, velas, bandeiras da Polônia e retratos do presidente.
O presidente interino Bronislaw Komorowski e o premiê Donald Tusk também acenderam velas ao som de sirenes ao meio-dia.
Komorowski declarou uma semana de luto nacional e exortou os poloneses a colocar de lado suas diferenças políticas no momento. Kaczynski, um nacionalista de direita aguerrido, foi uma figura polêmica que fez muitos inimigos.
Jaroslaw, irmão gêmeo de Kaczynski, líder do Partido Lei e Justiça, a maior legenda da oposição e um aliado próximo, voou até o local do acidente no sábado para ajudar a identificar os corpos.
O líder das forças armadas da Polônia, que no país é o chefe da Marinha, o presidente do Banco Central, legisladores oposicionistas e a esposa de Kaczynski, Maria, estavam entre os mortos no acidente.