09 de julho de 2026
Internacional

China confirma apoio a sanções ao Irã

Folhapress
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Washington - Em reunião ontem entre os presidentes dos dois países, a China confirmou aos EUA que aceita trabalhar por nova rodada de sanções da ONU contra o Irã, afirmaram funcionários da Casa Branca. A oficialização da posição poderá ser a mais importante vitória de Barack Obama na Cúpula de Segurança Nuclear, que termina amanhã em Washington. Segundo Jeffrey Bader, assessor de Obama para a China, os dois países já estão negociando ativamente em Nova York (sede da ONU) para elaborar a resolução. O texto “deixará claro ao Irã o custo de buscar um programa nuclear que viola as obrigações e responsabilidades iranianas”, disse.

O anúncio da Casa Branca foi feito logo após o encontro de 90 minutos entre Obama e o presidente chinês, Hu Jintao, único líder dos cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, Reino Unido, China e França) que ainda hesitava publicamente em aplicar mais sanções.

A mudança de posição deixa mais isolada a posição de Brasil, Turquia e Líbano, hoje membros rotativos do CS da ONU, contra uma nova rodada de sanções. Nenhum deles têm poder de veto, mas a falta de unanimidade prejudicaria a legitimidade de eventuais resoluções aprovadas. Ben Rhodes, vice-assessor de segurança nacional dos EUA, disse que o país espera que a resolução seja finalizada em algumas semanas.

Não se sabe, porém, o escopo das novas sanções. Enquanto Washington vem fazendo campanha por punições duras, especula-se que será necessário diluir o teor da resolução para manter aprovação de Pequim.

A China é hoje o principal destino das exportações iranianas e o segundo país em origem das importações de Teerã. Há preocupação especial dos chineses com relação a sanções que interfiram na venda de gasolina ao Irã. O país têm ainda bilhões de dólares investidos no desenvolvimento de dois grandes campos petrolíferos iranianos.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou antes do início da cúpula em Washington que o encontro “tem o objetivo de humilhar seres humanos” e que sanções não impedirão o Irã de continuar seu programa nuclear, cujos fins, segundo o país, são energéticos, e não militares.

EUA e China também discutiram a questão do valor da moeda chinesa, que americanos dizem estar artificialmente desvalorizada, mas não foram anunciadas decisões a respeito. Em outra vitória da cúpula, Obama anunciou hoje que a Ucrânia concordou em eliminar seu estoque de urânio altamente enriquecido, suficiente para a construção de várias bombas nucleares. Os EUA buscavam esse resultado há mais de uma década. A Ucrânia pretende substituir, com o apoio tecnológico americano, seus reatores atuais por outros que funcionem com urânio pouco enriquecido.