Há cinco anos [2005], o então vereador Rodrigo Agostinho, respondendo na Tribuna do leitor a um texto de nossa autoria, assinando como “vereador e ambientalista”, afirmava que um dinamarquês famoso e cético do clima de nome Bjorn Lomborg, “era funcionário de grandes companhias de petróleo, um empregado do setor poluente de nosso Planeta. Que o referido cidadão nunca foi um ambientalista, muito menos cético, sendo que a entidade à qual ele teria pertencido, o Greenpeace, nega qualquer vínculo. O seu livro O Ambientalista Cético é, na verdade, uma grande farsa com dados mentirosos. Até então era um estatístico fracassado e hoje recebe muitos dólares para defender a poluição. Com esta publicação, cientistas do mundo todo tiveram que desmascarar o sr. Bjorn. A própria universidade onde ele lecionava preparou textos sobre seus dados distorcidos. Hoje ele é conhecido na Dinamarca pela sua grande capacidade de manipulação. Nenhum ambientalista concordaria em ser comparado com o sr. Bjorn Lomborg”.
As declarações acima do ex-vereador e hoje prefeito da província estão em “aspas e negrito”, espinafrando Lomborg como farsante, mentiroso, fracassado e manipulador. Só faltou chamá-lo de bandalho.
Em 30/03/2010, o jornal O Estado de S. Paulo anunciou que a Confederação Nacional da Agricultura [CNA] convidou dois famosos “céticos” do clima, Patrick Michaels e Bjorn Lomborg, para participarem do fórum sobre desenvolvimento agropecuário e aquecimento global. O superintendente técnico da CNA, Moisés Gomes, concorda com a tese levantada por Lomborg, “que sugeriu que 0,2% do PIB mundial seja voltado para criar tecnologias de geração de energia limpa e reforça dizendo que "ao aumentar a produtividade na pecuária e na agricultura, por exemplo, usamos menos áreas e reduzimos as emissões [de gases de efeito estufa]. O quase bandalho de cinco anos atrás recebeu esse convite de dirigentes da CNA, que não é pouca coisa e seus membros não podem ser considerados bucéfalos”.
Então pergunto se não seria o caso de alertarmos a Confederação Nacional da Agricultura quanto ao intempestivo equívoco de se convidar um farsante, mentiroso, fracassado e manipulador cidadão dinamarquês, conforme classificou o nosso alcaide, para participar do dito fórum? É preciso ter-se em mente que na escala evolutiva do “homo sapiens” uma coisa é fazer um discurso como ambientalista, outra coisa é fazê-lo como vereador e outra é roncar a bronca como prefeito. Os discursos são antagônicos. Sempre para melhor, evidentemente, a exemplo dos “pensantes” da CNA. Daí a pergunta inicial. Em quem acreditar? No alcaide, misto de político e ambientalista, ou nos camaradas companheiros do vice-presidente da Federação da Agricultura, bauruense de boa cepa, Maurício Lima Verde Guimarães?
Nicanor Amaro Silva Neto