Brasília - A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, respondeu ontem via Twitter as críticas de que seu discurso no sábado, em São Bernardo do Campo, teria sido um ataque a quem se exilou fora do país durante a ditadura militar.
“De onde tiraram que fugir da luta é se exilar? O exílio significou a diferença entre a vida e a morte para os exilados brasileiros. Grandes amigos meus, corajosos e valorosos, só tiveram uma saída na ditadura, se exilar’’, escreveu a petista, que caracterizou como “má-fé” a interpretação dada a seu discurso. No final do dia, em nota, a assessoria de sua campanha afirmou que a leitura foi “totalmente equivocada”.
No sábado, em evento com o presidente Lula, Dilma afirmou: “Eu não fujo da situação quando ela fica difícil. Eu não tenho medo da luta”. Citou ter sido “maltratada” e ter apanhado no passado - durante a ditadura, Dilma foi torturada. “Em cada época da minha vida eu fiz o que fiz porque acreditei no que fazia”, disse na ocasião.
A fala foi vista como uma crítica ao seu opositor, o pré-candidato ao Planalto, José Serra (PSDB), que durante a ditadura se exilou no Chile. Dilma permaneceu no Brasil durante o regime militar, indo para a clandestinidade.
Repercussão
A fala causou polêmica entre aliados e oposicionistas do governo. Senadores da oposição e da base aliada também rebateram ontem a declaração.
Segundo o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), “cada um fez o que pôde. Uns optaram pelo caminho bravo, mas insensato de imaginar que, empunhando armas, iriam derrotar o Exército regular. Outros, que tiveram que se exilar, exerceram uma militância indormida para desacreditar a ditadura brasileira perante os países que eles visitaram”.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que considerou a fala da pré-candidata do PT uma “falta de respeito a Miguel Arraes, Leonel Brizola, Carlos Prestes e tantos outros, que, por não terem aderido às armas, não tinham quem os protegesse”.
Para o pedetista, a ex-ministra falou sem pensar e não acredita no que disse. “Foi uma frase infeliz. Querendo atacar o Serra, acabou atacando muita gente.
Petistas ouvidos pela reportagem citaram os ataques “velados” à participação de Dilma na luta contra a ditadura feitos pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra, em discurso no sábado. Guerra afirmou que Serra foi “corajoso, não se curvou frente ao autoritarismo do regime militar, não sucumbiu à insensatez de atos irresponsáveis’’.
O presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirmou que a interpretação foi uma forma de a oposição “transformar em polêmica o que não existe”. “(Na ditadura) Não houve melhor nem pior”, disse.