09 de julho de 2026
Nacional

Começa o julgamento do caso Dorothy

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Belém - Mesmo com o não comparecimento do advogado de defesa, começou ontem de manhã em Belém (PA) o julgamento do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de mandar matar a missionária norte-americana naturalizada brasileira Dorothy Stang, em 2005.

Como ocorreu em 31 de março, data original do júri, o advogado de Bida, Eduardo Imbiriba, não compareceu. Desta vez, mandou o colega Arnaldo Lopes de Paula, que pediu mais tempo para se inteirar do processo, tentando assim adiar de novo o julgamento.

Mas, em vez de aceitar a prorrogação, o juiz Raimundo Moisés Flexa negou o pedido de Lopes de Paula e nomeou dois defensor públicos para o caso - como prevê a legislação. A reportagem ligou para Imbiriba, mas ele disse que estava “em uma reunião” e que por isso não poderia falar.

Este é o terceiro júri de Bida. Em 2007, ele foi condenado a 30 anos. Como a lei da época permitia um novo julgamento a quem fosse sentenciado a mais de 20 anos, ele passou por um novo júri, em maio de 2008, quando foi absolvido. À época, a absolvição provocou revolta entre ambientalistas e defensores dos direitos humanos. Para eles, as declarações dos outros três condenados e presos pelo crime, que apontam Bida como o mandante, são provas suficientes de que o fazendeiro é culpado.

Após muita pressão, o júri de 2008 acabou anulado pelo Tribunal de Justiça do Pará no ano passado, acatando argumentação do Ministério Público Estadual.

O outro acusado de ser o mandante, o empresário Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, ainda não foi julgado. Espera-se que seu júri ocorra neste ano.

Seis tiros

A missionária Dorothy Stang foi morta por dois pistoleiros com seis tiros. Ela defendia os direitos de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA) e denunciava crimes ambientais e fundiários.