08 de julho de 2026
Geral

Denasus ouve pacientes da AHB e confronta dados de atendimentos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Vários pacientes atendidos pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) já foram ouvidos pela comitiva do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus), que está na cidade desde segunda-feira. Com a incumbência de fazer uma análise minuciosa dos pagamentos feitos pela União à entidade, técnicos ouvirão ainda outras pessoas até sexta-feira para confrontar os procedimentos médicos feitos em cada uma delas e o que foi apresentado e cobrado do Sistema Único de Saúde (SUS).

Como o JC havia adiantado, o foco é justamente o setor de bucomaxilo. Durante a semana, os auditores também recolherão documentos, cuja análise deve continuar fora do município. Após a conclusão dos trabalhos, o Denasus elaborará um relatório preliminar para que, posteriormente, a AHB se manifeste. A entidade foi alvo da Operação Odontoma, que apura irregularidades envolvendo a antiga diretoria da associação.

Tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria da República enviaram ofícios ao Denasus solicitando o trabalho. A Operação Odontoma foi deflagrada no final do ano passado para apurar a destinação de R$ 16 milhões obtidos em empréstimo junto à Caixa Econômica Federal (CEF); a origem de honorários pagos aos cirurgiões dentistas da equipe de bucomaxilo; a aquisição de insumos, equipamentos e medicamentos e a compra e utilização de materiais cirúrgicos na AHB.

Passado o auge do escândalo, a AHB passou a conviver com o ápice da crise financeira. Por falta de materiais simples como gaze, luvas e máscaras, há 15 dias suspendeu no Hospital de Base a cirurgia de pacientes que não corriam risco de morte. A previsão é que as operações sejam retomadas amanhã. Sem recursos, a associação propôs, inclusive, se especializar apenas em traumas.

Os insumos necessários para a retomada das cirurgias, porém, foram comprados com o aporte de R$ 1 milhão liberado pela Secretaria do Estado da Saúde. A mantenedora do Hospital de Base e da Maternidade Santa Isabel também recebeu um valor considerado ‘razoável’ referente à terapia renal (paga com recursos do SUS), além do valor do Pró Santa Casa - convênio com municípios. Com a soma de recursos, espera dar vazão às 180 cirurgias pendentes. No entanto, se até dia 20 de maio o Estado não liberar os R$ 500 mil também prometidos, uma nova suspensão das operações não está descartada.