09 de julho de 2026
Geral

Aparelho de radioterapia para de novo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O dia de ontem foi um transtorno para os pacientes que estavam com sessão de radioterapia agendada no Hospital Estadual Manoel de Abreu. Reativado há menos de 30 dias, o equipamento que realiza o tratamento parou de funcionar e os doentes - muitos deles oriundos de outras cidades - tiveram de voltar para suas casas sem serem atendidos.

Segundo a assessoria de imprensa do Hospital Estadual (HE) de Bauru, cuja fundação também administra o Manoel de Abreu, o problema foi provocado por uma falha técnica devido ao longo período em que o aparelho ficou desligado. Por estar ainda em fase de ajustes, novas falhas poderão ocorrer pelo menos dentro dos próximos quatro meses.

Ainda de acordo com a assessoria, o aparelho deve retornar ao funcionamento normal ainda na manhã de hoje, já que técnicos trabalhariam durante a noite de ontem para restaurá-lo. Como a empresa responsável por realizar a manutenção fica sediada em Presidente Prudente, a equipe não teria conseguido chegar antes a Bauru, a tempo de os pacientes com sessões agendadas para o período da tarde serem atendidos.

Em tratamento há duas semanas, o livreiro Paulino Alvarez, 72 anos, conta que esta é a segunda vez que o equipamento tem seu funcionamento interrompido no Manoel de Abreu. “Tive que desistir e ir para casa, mas eu moro em Bauru. Imagino as pessoas que vieram de Duartina, Macatuba e tiveram que voltar para trás, na estrada. Sei que o hospital tem boa vontade, mas o câncer já é uma doença difícil. Esses pacientes não podem ter o tratamento interrompido dessa maneira”, pondera Alvarez.

Ele entrou em contato com o JC para tentar sensibilizar autoridades municipais e empresários de Bauru sobre o problema. Segundo o paciente, o equipamento de radioterapia da cidade é antigo e precisa ser substituído por um modelo mais moderno. “Tem tanta gente de idade e com situação financeira difícil que precisa desse equipamento em pleno funcionamento. Quem sabe as pessoas não se mobilizam para comprar uma nova máquina?”, pergunta-se.

Sobrecarga

Além do livreiro, atualmente mais 77 pacientes são submetidos a sessões de radioterapia no Hospital Manoel de Abreu. Parte deles, até o mês passado, ainda recebia tratamento no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, desde que o equipamento de Bauru foi desativado, em junho do ano passado.

Na época, foi detectado que a ampola de cobalto, responsável por emitir a radiação necessária para o combate ao câncer, estava com atividade muito baixa e precisaria ser trocada. Por ser material tóxico, a Vigilância Sanitária determinou a desativação temporária do aparelho para garantir a segurança dos pacientes e funcionários.

Como os equipamentos de radioterapia são importados dos Estados Unidos, assim como suas peças, a ampola de cobalto teve de obedecer o trânsito burocrático para chegar até a cidade e ser instalada. Depois de vistoriada, a máquina voltou a funcionar no dia 16 de março deste ano, com capacidade para realização de 60 sessões diárias.

Na época, os pacientes que eram atendidos em Jaú foram chamados para retomar o tratamento em Bauru. Uma parcela deles, no entanto, optou ou foi orientada por seus médicos a dar continuidade às sessões no Amaral Carvalho.

Questionada sobre a possibilidade de sobrecarga do aparelho pelo excesso de uso, a assessoria de imprensa do Manoel de Abreu informou que ele ainda funciona aquém da capacidade. Como nem todos os 78 doentes precisam da terapia todos os dias, a expectativa é de que o número de pessoas atendidas ainda possa ser aumentado.