11 de julho de 2026
Nacional

Meninos são maiores vítimas e agressores do bullying no Brasil

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Uma pesquisa inédita realizada no País mostrou o perfil do estudante que convive com o bullying no ambiente escolar. Os meninos foram identificados como sendo as maiores vítimas, e, também, como os maiores agressores.

O levantamento realizado no segundo semestre de 2009 pela Ong Plan Brasil indica que 34,5% dos meninos já sofreram maus-tratos na escola, sendo 12% vítimas de bullying, contra 7% das meninas. Já no papel de agressor, os meninos aparecem com 12,5% de autoria, e as meninas com 8%.

Segundo a professora Cléo Fanti, os fatores para essa razão são culturais e podem influenciar as atitudes dos pais em relação ao comportamento das crianças. “Os meninos tem que ser durões, não levar desaforo para casa, não chorar, tem que ser popular. Culturalmente, isso tem uma influência muito grande, que às vezes afeta a própria educação familiar”, justifica.

Dos alunos ouvidos, 70% dizem que já presenciaram cenas de agressões entre estudantes, enquanto 30% vivenciaram situações violentas. Desse montante, o bullying foi praticado ou sofrido por 10% dos alunos. A maior incidência ocorre entre adolescentes com faixa etária entre 11 e 15 anos e que frequentam a 6.º série do Ensino Fundamental.

Foram colhidos dados de 5.168 estudantes das cinco regiões do País. Em cada região, foi verificado o comportamento de alunos de cinco escolas, sendo quatro públicas e uma particular. Ao todo, em todo o Brasil, a pesquisa foi realizada em 20 escolas públicas e cinco particulares localizadas nas capitais e interior dos Estados.

“O objetivo da pesquisa sobre bullying no Brasil é identificar essa forma de violência escolar, como e onde ela ocorre, quais são as variáveis que implicam na sua manifestação, depois juntar os dados para propor ações pilotos em determinadas escolas para que possamos aprender como viabilizar o debate de como combater a violência na comunidade acadêmica”, disse Moacyr Bittencourt, diretor da Plan Brasil. De acordo com ele, com bases nos dados será possível determinar como as escolas devem agir e tentar formar políticas públicas para coibir esse tipo de prática.

De acordo com Cléo Fanti, o bullying é caracterizado pela agressão física ou verbal que ocorre repetidamente contra a mesma vítima no mínimo três vezes num período de um ano letivo. Além disso, não há uma causa definida para que aconteça e está relacionado ao desequilíbrio de poder, como por exemplo, o mais velho contra o mais novo, o mais forte contra o mais fraco físico ou psicologicamente.

Geralmente, as vítimas se diferenciam dos demais colegas de escola por apresentarem alguma diferença determinante, seja de raça, cor da pele, obesidade, uso de roupas ou objetos diferentes, ou ainda, pelo status socioeconômico.

A pesquisa mostra que tanto as vítimas como os agressores perdem o interesse em frequentar a escola e sofrem prejuízos em relação ao aprendizado.

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Bullying pela Internet é agressão mais frequente

São Paulo - O ciberbullying, ou bullying virtual, ocorre com maior frequência que nas escolas do Brasil, segundo pesquisa divulgada ontem pela ONG Plan Brasil. De um universo de 5.168 alunos, 16,8% disseram que são ou já foram vítimas de ciberbullying, enquanto 17,7% se declararam praticantes, enquanto o bullying (hostilidade física ou verbal por parte de colegas) foi praticado ou sofrido por 10% dos alunos.

A pesquisadora de bullying, Cléo Fanti, diz que é grande a probabilidade de no futuro o número de cyberbulling ser maior do que a agressão virtual. “Uma vez que na escola é muito mais fácil identificar o autor de bullying, no mundo virtual essa facilidade não é tão grande assim, e existe a necessidade de se acionar a Justiça e especialistas nessa área para que se descobrir quem foi o autor”, disse a professora.

Geralmente, as agressões são feitas por e-mails e são praticadas com maior frequência pelos alunos do sexo masculino. Já as meninas preferem usar bate-papos instantâneos ou sites de relacionamento.

Adolescentes com faixa etária entre 11 e 12 anos costumam usar ferramentas ou site de relacionamento para agredir os colegas. Já as crianças de 10 anos invadem e-mails pessoais e se passam pela vítima.

Independentemente do ambiente, seja ele virtual ou escolar, as vítimas não costumam reagir às agressões e costumam apresentar sintomas como febre, dor de cabeça, diarreia, entre outros. Em casos mais graves, o sentimento de rejeição pode evoluir para algum tipo de transtorno ou chegar ao suicídio.

A pesquisa mostra que tanto as vítimas como os agressores perdem o interesse em frequentar a escola e sofrem prejuízos em relação ao aprendizado.