11 de julho de 2026
Internacional

Igreja dá resposta ambígua à fala de cardeal sobre gays

Folhapress
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Cidade do Vaticano - O Vaticano desqualificou ontem as declarações do cardeal Tarcisio Bertone, que gerou revolta mundial na segunda-feira ao relacionar pedofilia e homossexualidade, mas manteve a versão de que padres gays são responsáveis pela maioria dos abusos cometidos contra menores dentro da Igreja Católica.

Após protestos de associações gays, líderes políticos e governos de vários países, o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi divulgou um comunicado em que cita um estudo que “resulta simplesmente no dado estatístico” de que 60% dos 3.000 casos registrados pela Congregação da Fé desde 2001 envolvem “pessoas do mesmo sexo”.

O Vaticano, que tenta há semanas se defender das acusações de acobertar casos de pedofilia, preferiu desqualificar o cardeal Bertone como autor das declarações em vez de desmenti-las. “As autoridades eclesiásticas não se consideram competentes para fazer afirmações gerais de caráter psicológico ou médico, as quais cabem naturalmente ao estudo de especialistas e às pesquisas em curso”, diz a nota do porta-voz.

Lombardi também buscou minimizar o alcance das controversas declarações de Bertone e disse que “o cardeal evidentemente se referia à problemática dos abusos sexuais da parte dos sacerdotes, e não da população em geral’’.

Na prática, a Santa Sé esquivou-se de eliminar por completo o elo entre homossexualidade e pedofilia. O Vaticano também não emitiu uma condenação mais vigorosa contra Bertone, que ocupa o segundo cargo mais importante na hierarquia da Igreja Católica.

As controversas declarações de Bertone foram dadas em conversa com jornalistas durante visita ao Chile. O cardeal afirmou que a pedofilia entre os sacerdotes é fruto da identidade sexual de alguns padres.