09 de julho de 2026
Geral

HB retoma cirurgias após 15 dias

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O Hospital de Base (HB) retomou ontem as cirurgias de pacientes que não correm risco iminente de morte, suspensas há 15 dias por falta de materiais simples como gaze, luvas e máscaras. Além dos casos de urgência e emergência, sempre mantidos, outras 15 operações foram realizadas por equipes médicas de várias áreas, como ortopedia e urologia, por exemplo.

A expectativa é aumentar o volume diário até a próxima semana, para compensar o período em que o centro cirúrgico ficou ocioso. A informação foi prestada pelo médico Aparecido Donizete Agostinho, diretor clínico da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) -mantenedora do HB e da Maternidade Santa Isabel. Antes das operações serem suspensas, o HB realizava cerca de 30 cirurgias, incluindo eletivas e de urgência e emergência. O objetivo é voltar à mesma média.

Ainda estão represados outros 165 casos, sendo a maioria na área de ortopedia, informa a assessoria de imprensa do AHB. Para que todos sejam atendidos, a entidade dependerá de verba extra do governo do Estado, que acenou com a possibilidade de liberar R$ 500 mil mensais. Caso o valor não seja depositado até dia 20 de maio, a AHB não descarta uma nova suspensão das operações. Elas só foram retomadas depois que a Secretaria do Estado da Saúde liberou R$ 1 milhão.

Escândalo

Pelo que a reportagem apurou, o Estado teria reservas em fazer repasses por conta do escândalo envolvendo a entidade, que foi alvo da Operação Odontoma. Ela apura irregularidades envolvendo a antiga diretoria da associação. Foi deflagrada no final do ano passado para apurar a destinação de R$ 16 milhões obtidos em empréstimo junto à Caixa Econômica Federal (CEF); a origem de honorários pagos aos cirurgiões dentistas da equipe de bucomaxilo; a aquisição de insumos, equipamentos e medicamentos e a compra e utilização de materiais cirúrgicos na AHB.

O caso também é investigado pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus), que está na cidade desde a última segunda-feira. Hoje, os técnicos retornam a São Paulo com cópia de documentos solicitados à entidade e com o depoimento de cerca de 200 pacientes da associação. Com a incumbência de fazer uma análise minuciosa dos pagamentos feitos pela União à entidade, eles vão confrontar os procedimentos médicos feitos em cada atendimento e o que foi apresentado e cobrado do Sistema Único de Saúde (SUS).

Como o JC havia adiantado, o foco é justamente o setor de bucomaxilo. Após a conclusão dos trabalhos, o Denasus elaborará um relatório preliminar para que, posteriormente, a AHB se manifeste.