Desde ontem, os pacientes que necessitam de atendimento de alta e média complexidade na rede hospitalar e tentaram dar entrada em Bauru estão sendo encaminhados para a unidade que tem condições de prestar o serviço, conforme as regras da Central de Atendimento de Vagas Hospitalares do Estado. Sem a retaguarda total do Hospital de Base (HB), o caos no serviço de ambulatório exigiu que a Prefeitura de Bauru passe a restringir o envio de pacientes de cidades vizinhas.
A informação foi dada ontem de manhã pelo secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, durante audiência pública na Câmara Municipal de Bauru que discutiu sugestões para a elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2011. “O Pronto-Socorro não realiza serviço ambulatorial e a prefeitura está sendo vítima de um caos que tem origem nos problemas da Associação Hospitalar de Bauru. O atendimento de média e alta complexidade é de responsabilidade do Estado. Como não há vagas para diversos serviços, passamos hoje a inscrever os pacientes na Central do Estado até que a situação se resolva”, contou Monti.
Com isso, o Estado é quem vai ter de definir onde serão atendidos os casos graves após o serviço de urgência ser realizado pelo PS. Como tem sido muito comum, há anos, a prefeitura é quem tem ficado com a incumbência de receber pacientes de diferentes cidades. Mas, com o esfacelamento da etapa seguinte, ambulatorial, o município é quem fica com a “culpa”, com pacientes esperando em macas no corredor do PS em razão da falta de vagas para internação hospitalar.
A crise na AHB aprofundou o problema. “Antes a direção do PS pedia vaga no Hospital Estadual (HE) e no Base (HB) através de trânsito direto, local. Mas como a crise na AHB ampliou a limitação de vagas a situação chegou ao caos. Na segunda-feira tínhamos 27 pacientes no PS, todos eles graves, aguardando internação. Temos agora 18 esperando. A gente está tendo de escolher quem vai para internação. A partir de hoje a Central de Regulação é quem define para onde vai o paciente, o que pode acontecer em outras unidades do Estado, em outras regiões”, ampliou o secretário.
Com a medida, os tradicionais pacientes vindos de cidades vizinhas, que também eram enviados ao PS ao invés de uma unidade hospitalar, também terão de ser encaminhados via Central de Vagas. “Há 15 dias, transportamos uma paciente para cirurgia eletiva de ortopedia para Ribeirão Preto, porque não havia vaga aqui.
Com a central, teremos dificuldades também com o transporte dos pacientes. A situação é dramática em internação hospitalar e é preciso dar solução de longo prazo para isso, permanente”, apelou Monti.