O professor na ativa desde a década de 80, que pegou a primeira gestão de Tuga Angerami, deve se lembrar quando a pedagogia Freinet foi introduzida e discutida em Bauru. Apresentada logo após os anos de chumbo, a filosofia padeceu por várias razões, inclusive por falta de estudo até mesmo por parte de quem se dizia frenetiano. Hoje, no entanto, a filosofia volta à tona. Será novamente apresentada e analisada no Encontro Sudeste de Educadores Freinet, realizado neste sábado, na Escola Municipal de Educação Fundamental (Emef) José Francisco Júnior, no Jardim Progresso.
O evento, que deve reunir cerca de 200 profissionais, visa divulgar a pedagogia e atrair novos adeptos. Na cidade, existe um grupo fixo de mais de 20 pessoas, que acredita na educação cooperativa, afetiva, comprometida com a classe popular e em busca da qualidade no ensino. “A gente sempre se reúne para fazer algum evento, atividade. Também nos reunimos para ensinar outras pessoas sobre a pedagogia”, explica Leila Fernandes Arruda, coordenadora do Grupo Regional Freinet de Bauru.
Com o apoio da Secretaria da Educação, o encontro receberá caravanas de Curitiba, Campinas, Limeira, Bebedouro, Belo Horizonte, São Paulo, além de professores e estudantes de pedagogia da própria cidade. A secretária municipal de Educação, Vera Casério, por exemplo, confirmou presença no evento organizado pela Regional Freinet de Bauru. Ela participou do processo iniciado na década de 80.
“Em 84, fecharam o antigo Cinema Bauru, passaram para 800 pessoas um filme sobre a história de Freinet. Como os professores estavam saindo do autoritarismo, acharam que quem não adotasse, estaria fora da prefeitura”, explica Leila. O contexto é curioso justamente porque o idealizador do método prega liberdade e livre expressão. A imposição da década de 80, porém, resultou em certa aversão na cidade, cuja reversão está sendo trabalhada até hoje, acrescenta o coordenadora da regional Bauru.
Invariantes
Há princípios no saber Pedagógico que Freinet considerados invariáveis, ou seja, independente do local ou período histórico. Desta forma, postulou as chamadas “Invariantes Pedagógicas”, apontadas como pilares de sua proposta pedagógica.
Entre elas está o fato de ninguém gostar de fazer determinado trabalho por coerção, mesmo que, em particular, ele não o desagrade. Toda atitude imposta é paralisante.
Para Freinet, qualquer um gosta de escolher seu trabalho mesmo que essa escolha não seja a mais vantajosa. Ninguém gosta de trabalhar sem objetivo, atuar como máquina, sujeitando-se a rotinas nas quais não participa.
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Bauru já teve escola fundamentada na metodologia
Atualmente, o professor frenetiano em Bauru adota a metodologia como alternativa de trabalho. Mas a cidade já contou com uma escola totalmente fundamentada em suas técnicas, o Núcleo de Ensino Renovado. Leila Fernandes Arruda, coordenadora do Grupo Regional Freinet de Bauru, foi diretora. “De 89 a 97 trabalhamos dentro das técnicas. Acabou porque uma lei nacional proibiu as escolas experimentais. Os professores tiveram de voltar para suas escolas sede”, conta.
Como consequência, muitas de suas linhas são utilizadas sem que a origem seja conhecida. Outras ainda são deturpadas. “O que está por trás é o mais importante”, ressalta Leila. A metodologia prevê a participação do aluno nas avaliações, planejamentos, enfim, nas todas as execuções. Ele é sujeito. Marxista, Freinet pregava uma educação de qualidade ao trabalhador e era contra qualquer autoritarismo.
Para ele e seus adeptos, ninguém avança sozinho em sua aprendizagem, a cooperação é fundamental. Freinet propôs uma mudança da escola, pois a considerava teórica e desligada da vida. Defende a aprendizagem através da experiência, caminho considerado mais eficaz. Se o aluno faz um experimento e dá certo, ele o repetirá e avançará no procedimento, pregou.
Mas para que ocorra sintonia é necessário que o professor considere o conhecimento do aluno, fruto do meio em que vive. As práticas atuais de jornal escolar, troca de correspondência, trabalhos em grupo, aula-passeio são idéias defendidas e aplicadas por Freinet, desde os anos 20 do século passado. O evento, que começa às 8h e vai até o final da tarde, será realizado na rua João Borges, quadra 2, no Jardim Progresso.