08 de julho de 2026
Politicando

Praga mundial


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No livro “Cisnes Selvagens”, editado no Brasil nos anos 90, a autora Jung Chang, sobre democracia na China, escreve que o poderoso general Xue, em 1923, “usou sua polícia para assegurar que o homem que sua facção queria na Presidência, Tsao Kun, ganharia o que se anunciava como uma das primeiras eleições na China” (fase republicana). “Os oitocentos e quatro membros do Parlamento tiveram de ser subornados (no Brasil alguns não seriam sondados). Xue e o general Feng puseram guardas no prédio do Parlamento (fato muito comum na América Latina) e informaram que have-ria uma bela recompensa para quem votasse de modo certo (mensalão?), o que trouxe muitos deputados correndo de volta das províncias. Quando tudo estava pronto para a eleição, havia quinhentos e cinqüenta e cinco membros do Parlamento em Pequim. Quatro dias antes da eleição, após muitas barganhas, eles receberam 5 mil yuans cada, uma soma mais ou menos substancial. A 5 de outubro de 1923, Tsao Kun foi eleito presidente da China com quatrocentos e oitenta votos. Xue foi recompensado com a promoção ao generalato pleno. Também foram promovidos dezessete “consultoras especiais” – todas amantes ou concubinas favoritas de vários caudilhos e generais (igual na AL?). Esse episódio entrou na história da China como um exemplo notório de como se pode manipular uma eleição. As pessoas ainda o citam ao afirmar que a democracia não dará certo na China.

Enviado por Irineu Azevedo Bastos