08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ser... Humano


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O senso comum da sociedade brasileira é que os assistentes sociais existem apenas para prestar doações aos necessitados. A partir das décadas de 60/70, com a ampliação da rede de serviços sociais, ocorre também a demanda do trabalho do assistente social, ou seja, o Serviço Social se consolida como profissão na sociedade brasileira, apesar de toda a precariedade das políticas sociais no país. Hoje, pautado no materialismo histórico dialético, o Código de Ética de 1993 aponta como tarefa da profissão “propor alternativas de ação com criatividade, senso crítico e domínio da comunicação, contribuindo para que a população tenha acesso a serviços sociais básicos, na perspectiva de efetivação da cidadania” (YAZBEK,2007).

O velho pensamento das irmãs caridosas foi superado pela prática efetiva do assistente social, que atua nas Expressões da Questão Social, incluindo o indivíduo na sociedade, pois apenas em sociedade podemos exercer na prática as características que nos fazem diferentes das outras espécies.

Na rotina do cotidiano, o indivíduo contemporâneo perdeu a consciência de sua existência, alienando-se, sem refletir sobre a influência que exerce na sociedade, fazendo-o perder a característica que o diferencia das demais espécies, a capacidade de pensar e de criticar sua condição social, que tanto o incomoda.

É nesta característica básica do humano (perdida) que o assistente social contemporâneo atua, fazendo valer os direitos do indivíduo, para que ele exercite a sua cidadania. Utilizando instrumentos e técnicas do Serviço social e, principalmente, efetivando os direitos constituídos, para que este indivíduo, se alienado, volte a raciocinar e exerça sua plena cidadania. Como Karl Marx disse, a história da humanidade se caracteriza pela luta das classes, entre o patrão e o trabalhador; porém, a vida não existiria sem esta contradição, visto que ambos se completam, um necessita do outro. Desta relação desenvolve o produto necessário para a sobrevivência humana e o Serviço Social é a ponte entre estas classes, amenizando os conflitos, para que a sobrevivência não seja afetada.

Contribui ainda para que a classe menos favorecida tenha acesso à qualidade de vida, podendo assim voltar a refletir sobre seu papel, que é o fundamento da sociedade, fazendo valer os direitos constitucionais, esclarecendo a este individuo o seu papel na produção, pois a necessidade produtiva é evidente.

Depois de anos sofrendo pela falta das necessidades básicas (alimentação, moradia, saúde, educação, cultura, lazer), outras modernidades podem aliená-lo novamente, como no caso da inclusão digital, que na década passada privilegiava apenas uma parcela da população e hoje, com a “democratização” da internet, se o indivíduo não consegue utilizar esta ferramenta para o auto-desenvolvimento, será considerado um “analfabeto digital”, perdendo espaço no mundo do trabalho.

A prestação de serviços do assistente social transcendeu o assistencialismo pragmático que corrompe o ser humano em vez de torná-lo humano, o assistente social contemporâneo vem incluir os indivíduos da espécie humana, na busca incessante de promover a sua autonomia e assim efetivar os seus direitos de cidadãos.

Glauber Ricardo Oliveira Woida e Fernanda Marques dos Passos - alunos do 1.º ano da Faculdade de Serviço Social - ITE-Bauru