08 de julho de 2026
Internacional

Bispo admite ter cometido abuso e renuncia

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Vaticano - O papa Bento 16 aceitou a renúncia do bispo Roger Vangheluwe, 73 anos, que admitiu ter abusado sexualmente de um menino por um longo período quando estava no comando da diocese de Bruges, na Bélgica. Bispo há 25 anos, ele era o religioso há mais tempo no cargo na Bélgica.

A renúncia de ontem, no entanto, tem uma grande diferença: nos casos anteriores, os bispos renunciaram acusados de tentar encobrir casos de pedofilia na Igreja, não por terem eles mesmos cometido os abusos contra as crianças.

Vangheluwe é o primeiro religioso a renunciar na Bélgica desde que teve início, há alguns meses, o atual escândalo de abuso de crianças cometidos por membros da Igreja Católica, principalmente na Europa e nos EUA.

Anteontem, um bispo irlandês e um alemão renunciaram em consequência do escândalo de abusos. O papa aceitou a renúncia do bispo James Moriarty, elevando para três o número de bispos da Irlanda que deixaram seus cargos só nos últimos quatro meses devido a abusos cometidos por religiosos.

Abuso na Bélgica

“Quando eu ainda era padre e durante um período quando me tornei bispo, abusei sexualmente de um jovem que fazia parte de minha equipe”, disse o belga Vangheluwe, em um comunicado divulgado em entrevista coletiva em Bruxelas, à qual o bispo não esteve presente.

“Eu me arrependo profundamente do que fiz e apresento minhas mais sinceras desculpas à vítima, a sua família, à comunidade católica e à sociedade em geral”, afirmou.

“A vítima ainda está marcada pelo que aconteceu. Ao longo dessas décadas, eu repetidamente reconheci minha culpa a ele e a sua família, e pedi por perdão. Mas isso não trouxe paz a ele, assim como não trouxe paz para mim.”

Vangheluwe nasceu na cidade de Roeselare e foi ordenado padre em Bruges aos 26 anos. Ele foi indicado como bispo da cidade histórica em 1984, aos 48 anos, cargo que manteve por 25 anos até sua renúncia ontem. Ele deveria se aposentar no ano que vem.

O abuso ocorreu há mais de 20 anos, e não há detalhes sobre qual seria a idade do menino na época. O bispo belga renunciou após uma pessoa próxima à vítima ter reclamado à Igreja.

A Igreja belga, no entanto, afirma que está investigando cerca de 20 outros casos de denúncias de abuso sexual.

Anteontem, o papa Bento 16 finalmente aceitou a renúncia do bispo irlandês James Moriarty, o terceiro bispo da Irlanda a deixar o cargo só nos últimos quatro meses.

Moriarty entregou sua renúncia em dezembro do ano passado, depois que um relatório oficial o incluiu numa lista de líderes da igreja na arquidiocese de Dublin que encobriram casos de abusos de crianças cometidos por padres por 30 anos. Ele foi bispo auxiliar de Dublin por 11 anos, antes de ser nomeado em 2002 bispo de Kildare e Leighlin.

Na Alemanha, o bispo de Augsburg (no sul do país), Walter Mixa, também apresentou pedido de renúncia a Bento 16 após acusações de violência física contra alunos de um orfanato nos anos 1970 e 1980.

O bispo provocou uma grande polêmica na Alemanha depois da recente publicação na imprensa dos depoimentos de ex-alunos do orfanato católico de Schrobenhausen, que o acusaram de violências físicas quando ele era padre na região.

Depois de ter negado em um primeiro momento as acusações, o bispo Mixa admitiu ter cometido os abusos aos alunos no período em que esteve à frente do orfanato, e pediu desculpas pelos seus atos.

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Ação judicial nos EUA contra papa é ilegítima, diz Vaticano

Milwaukee - O Vaticano qualificou de ilegítima ontem uma ação judicial aberta nos EUA contra o papa Bento XVI e seus assessores mais próximos por um caso de abuso sexual em uma escola de meninos surdos no Estado norte-americano do Wisconsin.

Segundo o advogado do Vaticano “a ação contra a Santa Sé e seus funcionários não tem absolutamente nenhum mérito. A maioria das queixas reformula velhas teorias já rejeitadas por cortes dos EUA,” disse

“Embora vítimas de abusos tenham entrado com ações judiciais legítimas, esta não é uma delas,” afirmou.

Ele se referia a uma ação chamada “John Doe 16 versus Santa Sé,” iniciada na quinta-feira em um tribunal federal da cidade de Milwaukee, no Wisconsin, por um autor não identificado que alega ter sofrido abusos do padre Lawrence Murphy.

Murphy lecionou em uma escola católica romana do Wisconsin para surdos de 1950 a 1974 e foi acusado de ter molestado cerca de 200 meninos surdos.