09 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Adriane Santana Lopes

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 10 min

‘Quando crescer, quero ser Rita Lee’

Não incomum, mas diferente da maioria. Ela tem cabelos vermelhos, jeito próprio de se vestir e tatuagens, muitas tatuagens coloridas espalhadas pela perna, pescoço, costas e quase tapando um dos braços. Com todo esse estilo, é claro que o perfil musical de Adriane Santana Lopes, vocalista da banda Move Over, não poderia ser outro a não ser o bom e velho rock’n’roll. Nem tão velho assim pela mistura pop e toque de garota de 24 anos que as canções têm.

Como um dom, ela foi descobrindo o talento e a paixão pela música pouco a pouco, ainda na infância. Quando se deu conta, estava sobre um palco na formatura de sua irmã mais velha sendo aplaudida pela família e por pessoas que nunca havia visto antes. “Foi então que descobri a música como parte inseparável da minha vida”, diz Adriane.

Vocalista e uma das fundadoras da banda Move Over, eles estão na estrada há 7 anos, Adriane ganhou o primeiro lugar do concurso “Música e Valores”, em Brasília, aos 14 anos de idade e o direito de participar do “Música e Valores Internacional”, em Roma, onde ficou em segundo lugar e conquistou o prêmio de melhor performance.

Com os pés na estrada e o rock na cabeça, a Move Over vem ganhando cada vez mais espaço no cenário musical e Adriane garante que eles estão conseguindo viver bem de música. “Mesmo parecendo difícil, estamos conseguindo”. Neste ano, eles participaram do “Gol Fest” no sambódromo Anhembi, em São Paulo e tocaram ao lado da banda Titãs.

Casada com o baterista da banda, Leandro Tenório, ela fala ao Jornal da Cidade sobre carreira, sonhos, projetos e fãs. Confira os principais trechos da entrevista que ela concedeu ao Jornal da Cidade.

Jornal da Cidade - Como foi montar sua própria banda de Rock?

Adriane Santana Lopes - Eu e Leandro, o baterista, já namorávamos há um ano, mas cada um tocava em uma banda diferente. Fazíamos um rock mais pesado e não havia campo para tocarmos na cidade. Então, tivemos a ideia de fazer um rock mais popular e que pudesse ser tocado em rádios da região e fosse mais abrangente. Assim, nos juntamos com mais dois amigos e montamos a Move Over, em 2003, que é um rock nacional, que toca em rádios e é mais fácil de divulgar.

JC – O retorno é o esperado?

Adriane – Graças a Deus, sim. O pessoal mais velho, crianças e outros públicos gostam da nossa música. Estamos trabalhamos bastante e já lançamos um álbum cheio, em 2005, e depois lançamos dois EP’s, todos de músicas nossas e estamos com nosso primeiro DVD ao vivo, que foi gravado no Santa Madalena. Viajamos muito por todo o interior paulista, fazendo shows e agora estamos indo para Santa Catarina e outros lugares da região Sul, Minas Gerais, já fomos tocar em um festival no Rio de Janeiro, também. Enfim, vivemos disso, temos nossa casa e tiramos nosso sustento da música. Já tivemos altos e baixos, mas nunca passamos por grandes dificuldades.

JC – Uma coisa que é difícil para os músicos.

Adriane – Sim, é muito complicado viver apenas de música no Brasil, mas estamos vivendo bem, sem reclamações. Com o DVD estamos aumentando a quantidade de shows e chegando a lugares onde a banda não era conhecida.

JC – Já ganharam prêmios?

Adriane – Já ganhei prêmios importantes antes de entrar para a banda. Aos 14 anos eu estudava na 8ª série do colégio São José e tocava na banda chamada “SJ”. No final daquele ano, um grupo de mulheres evangelizadoras católicas vieram do México para o Brasil e foram conhecer a escola. Nesse meio tempo, elas ficaram sabendo da banda e nos convidaram a participar de um concurso de vozes femininas que teria em Brasília. O concurso era chamado de “Música e Valores”, e o tema da música precisa ter cunho social. Eu fui com uma menina que também era vocalista da banda e o nome da nossa música era “Antenas Ligadas”. Não esperava ganhar, queríamos participar e acabamos levando o primeiro lugar. Depois fui convidada a ser juri da próxima edição e ganhei o direito de disputar o “Música e Valores Internacional”, em Roma.

JC – A disputa internacional também trouxe bons resultados?

Adriane – A menina que cantava comigo não quis ir e eu não podia perder. Minha mãe foi comigo porque eu tinha apenas 14 anos. As apresentações foram em um teatro gigantesco, lindo e eu fiquei em segundo lugar. Disputei com gente de diversos países. Peguei a música que ganhamos em Brasília, coloquei um pedacinho de bossa nova e gravei o refrão em espanhol, inglês, italiano e francês. Foi muito legal porque os jurados ficaram surpresos, tanto é que criaram, na hora, o prêmio de melhor performance e me deram. Também recebi um convite para cantar no “Música e Valores México”, mas acabou não rolando. Uma jurada me disse que queriam dar o primeiro prêmio para o Brasil, mas isso não foi possível.

JC – A banda também já participou de concursos?

Adriane – O primeiro foi no ano da criação da Move Over, o “96 Fest Rock”, que teve em Bauru, na Antiga Cervejaria dos Monges. Ficamos em segundo lugar e a música passou a tocar e a ser pedida pela galera da cidade e região. Quando tocamos ao vivo nos shows, as pessoas já sabiam cantar. Uma vez até chorei quando percebi que a plateia estava realmente cantando nossa música. Isso só fortaleceu a banda. Os meninos são como meus irmãos. O outro concurso foi este ano em São Paulo, no sambódromo Anhembi, em comemoração aos 30 anos do carro Gol, o “Gol Fest”. Um olheiro da Volks tinha de escolher 10 bandas de qualquer lugar do Brasil para entrar em uma votação na Internet. Das dez bandas escolhidas, ficamos em segundo lugar. Apenas cinco iam tocar na festa. Tocamos ao lado dos Titãs, ganhamos instrumentos, foi maravilhoso.

JC – A música fez parte da sua infância?

Adriane - Minhas primas me chamavam para brincar de casinha e bonecas e eu achava aquilo tudo muito chato. Elas tinham 20 Barbies e eu apenas uma. Eu odiava aquela boneca. Gostava de fazer teatro, apresentação de dança. Até que aos 6 anos de idade fui fazer balé, mas não sabia que gostava de música e que tinha esse chamado. Minhas amigas sempre diziam que eu cantava bem, mas era muito novinha e achava que era natural, que todas as crianças cantavam bem e gostavam de música. Já adolescente, elas pediam para eu cantar para elas e eu cantava, mas não entendia nada. Na formatura de faculdade da minha irmã, aos 13 anos de idade, meu padrinho pediu para que os caras da banda me deixassem cantar. Subi no palco, coloquei o cabelo todo na frente do rosto, cantei e todos me aplaudiram. Fiquei meio boba, sem saber o que estava acontecendo e minha mãe disse: “Filha, você canta muito bem e precisa estudar canto”. Foi quando comecei a fazer parte de corais, recitais e me encontrei. Desde os 14 anos não faço outra coisa. Aos 16 anos comecei a cantar na noite.

JC – Onde cantava antes dos bares?

Adriane – Então, isso é até engraçado. Como era muito novinha, não podia cantar na noite. Minha mãe disse: “Precisamos achar um lugar para você cantar”. Foi quando passei a integrar a banda do santuário da Universidade do Sagrado Coração (USC)...Depois me profissionalizei e precisei parar por conta da agenda.

JC – Você estudou em colégio católico, cantou em missas...Qual é o papel da religião em sua vida?

Adriane – Minha mãe é muito religiosa e eu também tenho muita fé. Acredito muito em Deus, sempre tive respostas quando precisei.

JC – E a sua história de amor com o baterista da banda?

Adriane – Quando eu cantava na banda da igreja, precisava de um baterista e um menino que também cantava disse que conhecia alguém, mas que não sabia se esse alguém toparia por ser metaleiro. Mas, ele foi ensaiar e disse que foi amor à primeira vista, só saiu da banda quando eu saí e ele nem era católico. Viramos amigos, eu ligava para contar romances com outros carinhas.... Até que comecei a perceber que estava rolando uma paixão. Começamos a namorar em 2002 e nos casamos em 2005.

JC- Seu estilo é um tanto colorido.

Adriane – (Risos) Adoro meus cabelos vermelhos e minhas tatuagens coloridas. A primeira fiz com 16 anos, sempre tive vontade de desenhar o corpo inteiro. Tenho nas pernas, braços, pescoço e costas. Quando fiz a primeira, minha mãe quis me matar porque eu disse que faria uma borboleta pequena e acabei fazendo uma trepadeira de borboletas na perna. Agora não paro mais, vou sempre fazer uma nova.

JC – Você compõe?

Adriane – Sim. As letras são minhas e as músicas fazemos em parceria. As canções falam sobre amor, política, coisas diferentes do cotidiano que observo na vida real, em livros, nas pessoas...Além de bandas internacionais, minhas maiores influências são Elis Regina e Rita Lee. Quando crescer, quero ser a Rita Lee, costumo dizer (risos).

JC – Como é a relação com os fãs?

Adriane – Ah, temos alguns fãs que são a nossa vida. Eles são de Bauru e região, São Paulo e diversas outras cidades. Cinco deles tatuaram o logo da banda, que é uma estrela. Eles são como uma equipe que nos ajuda. Por exemplo, quando entramos em algum tipo de votação, eles votam, pedem para os amigos votarem e fazem campanhas. Viajamos e eles atualizam o site... Tornaram-se nossos amigos e integrantes da banda.

JC – Sua carreira tem incentivo da família?

Adriane – Muito. A maioria das pessoas que querem viver de música é brigada com os pais que não apoiam por acharem que não dá futuro. Eu e meu marido temos um apoio incrível das duas famílias. Minha avó e minha tia-avó cantavam muito bem e até foram convidadas para cantar em rádios, mas os maridos não deixaram. Quando minha mãe viu o dom se manisfestar em mim, ela ficou muito feliz. Eles viajam com a gente quando vamos cantar na região. Sempre que podem estão na plateia.

JC – Chegou a pensar em ter outra profissão?

Adriane – Na verdade eu queria fazer um curso de moda no Senac, mas o curso é no final da semana e não posso por causa das viagens e shows. Quando mais nova, também pensei em fazer biologia por gostar de plantas e animais. Mas a música é minha vida.

JC – Quais são os projetos?

Adriane – Queremos lançar um vídeoclipe para entrar na programação da MTV, porque a visibilidade é muito maior, vamos começar a gravar um disco novo ainda em 2010. Minha vida pessoal se funde com a profissional porque quando não estou tocando, estou trabalhando para a banda, sou minha própria secretária.

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Perfil

Nome: Adriane Santana Lopes

Idade: 24 anos

Local de Nascimento: Agudos/SP

Signo: Áries

Marido: Leandro Tenório

Hobby: Viajar e navegar na Internet

Livro de cabeceira: “O vendedor de sonhos”

Filme preferido: Pulp Fiction

Estilo musical predileto: Rock e suas vertentes

Time: Seleção brasileira

Para quem dá nota 10: Aos que ajudam as vítimas de catástrofes naturais

Para quem dá nota 0: Aos governantes de Brasília que não querem aprovar a “Lei da Ficha Limpa”

Endereços eletrônicos: dri_moveover @yahoo.com.br, www.myspace.com/moveoverrock, www.fotolog.com/bandamoveover e www.move over.com.br